Rio precisa atuar na "prevenção" para ter Olimpíada segura--ONU

segunda-feira, 26 de outubro de 2009 15:49 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Rio de Janeiro deve começar hoje uma política de prevenção para garantir a segurança dos Jogos Olímpicos de 2016, disse nesta segunda-feira uma autoridade de segurança da ONU em visita à cidade, após uma onda de violência e confrontos entre traficantes de drogas e a polícia que deixou mais de 40 mortos.

O colombiano Elkin Velásquez, coordenador do programa Cidades Mais Seguras da agência de habitação da Organização das Nações Unidas (UN-Habitat), acrescentou que o Rio precisa de uma solução que vá além da questão policial e inclua a melhora da qualidade de vida dos moradores das favelas, atualmente dominadas por facções criminosas, para diminuir a criminalidade.

"Tem que se começar agora com as medidas para que em 2016 a cidade seja mais segura, como sabemos que será", disse Velásquez a jornalistas na sede regional da UN-Habitat, no Rio, após reunião com dirigentes do comitê organizador da Olimpíada na cidade.

"A prevenção tem que começar hoje sobre a base de esforços já realizados. Os Jogos Pan-Americanos (2007) e a Copa do Mundo (2014) serão um bom aprendizado para a cidade até as Olimpíadas", acrescentou Velásquez, ex-assessor para segurança pública do prefeito de Bogotá que teve papel importante na redução da criminalidade na capital colombiana.

O Rio de Janeiro viveu uma das ondas de violência mais sangrentas dos últimos anos, que deixou um saldo de ao menos 42 mortes em uma semana. A derrubada de um helicóptero policial por supostos traficantes no dia 17 de outubro foi o detonador da crise, apenas duas semanas após a cidade ter superado Chicago, Tóquio e Madri na eleição do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Os incidentes despertaram preocupação internacional quanto à segurança da realização dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul e da Copa do Mundo de futebol de 2014, que terá no Rio a provável sede da final no Maracanã -- que fica a poucos quilômetros do Morro dos Macacos, onde o helicóptero foi abatido.

Velásquez traçou paralelos entre a violência do tráfico de drogas no Rio com a cidade colombiana de Medellín, que viu uma redução drástica nos índices de violência nos últimos anos, apesar de um recrudescimento recente. Segundo ele, a tática adotada na Colômbia de agir na prevenção seria a mais eficiente também na capital fluminense.

"As políticas públicas de segurança precisam de coerção o quanto necessário e prevenção o quanto possível. As várias cidades do mundo que tiveram sucesso na segurança pública agiram com firmeza nesses dois aspectos, com integração, coordenação, liderança e planejamento", afirmou.   Continuação...