Copa e Olimpíada não podem afetar direitos humanos no Brasil-ONU

sexta-feira, 13 de novembro de 2009 18:32 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil deve tomar cuidado para não violar os direitos humanos ao tentar conter a violência para a Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, disse nesta sexta-feira a Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Estamos cientes do que acontece quando países estão muito preocupados em apresentar esse grande show para as câmeras internacionais", disse a alta comissária Navi Pillay a jornalistas em Brasília, no fim de uma semana de visita ao país.

O Rio registrou uma onda de violência em outubro depois que supostos traficantes abateram um helicóptero da polícia, semanas depois da escolha da cidade para realizar os Jogos Olímpicos de 2016.

Grupos de direitos humanos regularmente acusam a polícia do Rio de cometer abusos durante ações em favelas. As autoridades dizem que há grande dificuldade em agir contra as quadrilhas de traficantes que dominam os morros cariocas.

"O que fiz na minha visita ao Rio foi lembrar o governo de que, qualquer que seja a estratégia planejada e adotada em nome da segurança pública..., não se pode abandonar a consideração dos direitos humanos."

Ela também defendeu que os investimentos para os dois grandes eventos esportivos beneficiem os pobres --na forma de instalações culturais, esportivas e de transportes, por exemplo.

"Pode-se gastar em sistemas de transporte público que irão ajudar os habitantes das favelas a viajarem para os locais de emprego bem depois que a Copa do Mundo e a Olimpíada acabarem", afirmou.

Pillay lembrou ainda que o Brasil foi o único país da América do Sul que não tomou medidas contra abusos cometidos durante os regimes militares da região, ao contrário de várias nações vizinhas que levaram ex-agentes das ditaduras a julgamento.

Ela afirmou ter incentivado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criar uma comissão de verdade e reconciliação para examinar casos de tortura, assassinatos e outras violações durante a ditadura brasileira (1964-85).

"Devo dizer que o presidente Lula esteve muito aberto à sugestão", acrescentou.

(Reportagem de Ana Nicolaci da Costa)

 
<p>Brasil deve tomar cuidado para n&atilde;o violar os direitos humanos ao tentar conter a viol&ecirc;ncia para a Copa do Mundo 2014 e a Olimp&iacute;ada do Rio de Janeiro em 2016, disse a Alta Comiss&aacute;ria de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em foto de arquivo. REUTERS/Denis Balibouse</p>