November 26, 2009 / 12:55 PM / 8 years ago

Fifa fará reunião em ilha que abrigou prisão do apartheid

4 Min, DE LEITURA

Por Mark Gleeson

JOHANESBURGO (Reuters) - A cúpula do futebol mundial irá se reunir na semana que vem numa ilha sul-africana que ficou famosa por abrigar uma prisão brutal na época do apartheid, mas onde o esporte servia de alívio e esperança para centenas de ativistas presos.

A reunião do comitê executivo da Fifa, na quinta-feira, ocorrerá em Robben Island, ilha próxima à Cidade do Cabo, onde o líder negro Nelson Mandela passou mais de 18 anos detido.

Será um gesto simbólico na véspera do sorteio dos grupos da Copa de 2010, e servirá para mostrar como o futebol era jogado pelos presos políticos naquele lugar.

A existência de ligas de futebol entre os presos só foi documentada a partir da publicação do livro "More Than Just a Game" ("Mais do que apenas um jogo", 2007), de Chuck Korr e Marvin Close.

A obra, já transformada em filme, detalha as façanhas da Associação de Futebol Makana, criada por detentos. Entre seus membros estava o zagueiro Jacob Zuma, depois árbitro, e hoje presidente do país. Atualmente, a Associação Makana pertence aos quadros da Fifa, como membro-associado.

Inicialmente, o futebol era proibido na Robben Island, e havia punições a quem insistisse em pedir para jogar. Só após três anos de solicitações, além de uma intervenção da Cruz Vermelha e da parlamentar antiapartheid Helen Suzman, os presos foram autorizados a praticar o esporte.

Originalmente, eram partidas de 30 minutos aos sábados. A primeira delas ocorreu numa manhã de muito vento, em dezembro de 1967, entre as equipes Rangers e Bucks.

A associação Makana então ganhou um estatuto, comissões, regras sobre sanções disciplinares e até transferências de jogadores, normalmente em pedacinhos de papel.

Muitos dos presos políticos já haviam praticado o futebol, alguns em nível semiprofissional, como Kgalema Motlanthe, que viria a ser presidente da África do Sul, e Patrick Lekota, que se tornaria ministro da Defesa.

"Os prisioneiros usaram qualquer material em que pudessem pôr as mãos para fazer uma bola (...), e as redes (dos gols) eram feitas com redes de pesca reais que vinham dar na ilha," contou o ex-detento Tokyo Sexwale, hoje ministro de Assentamentos Humanos.

Os registros da entidade, minuciosamente mantidos, foram descobertos em 1993 por Korr, que baseou seu livro em 70 caixas de material que detalhavam a atividade futebolística na ilha.

Mandela, que esteve preso em Robben Island entre 1964 e 1982, e acabou sendo o primeiro presidente negro eleito no país, em 1994, era proibido de participar.

A prisão hoje é um museu e uma importante atração turística. Makana era o nome de um líder da etnia xhosa que foi preso pelos britânicos na ilha no começo do século 19.

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