Fifa fará reunião em ilha que abrigou prisão do apartheid

quinta-feira, 26 de novembro de 2009 10:50 BRST
 

Por Mark Gleeson

JOHANESBURGO (Reuters) - A cúpula do futebol mundial irá se reunir na semana que vem numa ilha sul-africana que ficou famosa por abrigar uma prisão brutal na época do apartheid, mas onde o esporte servia de alívio e esperança para centenas de ativistas presos.

A reunião do comitê executivo da Fifa, na quinta-feira, ocorrerá em Robben Island, ilha próxima à Cidade do Cabo, onde o líder negro Nelson Mandela passou mais de 18 anos detido.

Será um gesto simbólico na véspera do sorteio dos grupos da Copa de 2010, e servirá para mostrar como o futebol era jogado pelos presos políticos naquele lugar.

A existência de ligas de futebol entre os presos só foi documentada a partir da publicação do livro "More Than Just a Game" ("Mais do que apenas um jogo", 2007), de Chuck Korr e Marvin Close.

A obra, já transformada em filme, detalha as façanhas da Associação de Futebol Makana, criada por detentos. Entre seus membros estava o zagueiro Jacob Zuma, depois árbitro, e hoje presidente do país. Atualmente, a Associação Makana pertence aos quadros da Fifa, como membro-associado.

Inicialmente, o futebol era proibido na Robben Island, e havia punições a quem insistisse em pedir para jogar. Só após três anos de solicitações, além de uma intervenção da Cruz Vermelha e da parlamentar antiapartheid Helen Suzman, os presos foram autorizados a praticar o esporte.

Originalmente, eram partidas de 30 minutos aos sábados. A primeira delas ocorreu numa manhã de muito vento, em dezembro de 1967, entre as equipes Rangers e Bucks.

A associação Makana então ganhou um estatuto, comissões, regras sobre sanções disciplinares e até transferências de jogadores, normalmente em pedacinhos de papel.   Continuação...