Seleção rebate crítica de Beckenbauer: "não somos defensivos"

terça-feira, 8 de dezembro de 2009 20:27 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As declarações de Franz Beckenbauer afirmando não gostar do estilo de jogo do Brasil sob comando do técnico Dunga por considerar o time muito defensivo foram mal recebidas dentro da seleção, que fez questão de responder ao ídolo do futebol alemão no idioma dele.

Antes do sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, realizado na semana passada, o ex-capitão e técnico da Alemanha criticou abertamente a seleção brasileira, afirmando "não reconhecer esse time do Brasil." Mas a resposta brasileira foi dada pouco depois, ainda em solo africano, conforme revelou nesta terça-feira o auxiliar do técnico Dunga, Jorginho.

"Recebemos essas declarações do Beckenbauer através da mídia e tivemos a oportunidade de responder num encontro com ele. Foi bom porque mantenho meu alemão afiado", disse Jorginho, que jogou durante 6 anos na Alemanha por Bayern de Munique e Bayer Leverkusen, durante palestra ao lado de Dunga sobre a preparação do Brasil para a Copa de 2010 no Footecon, seminário anual de futebol realizado no Rio de Janeiro.

Segundo Jorginho, num encontro entre ele, Dunga e Beckenbauer por ocasião do sorteio dos grupos da Copa, na última sexta-feira na Cidade do Cabo, os dois integrantes da seleção deixaram claro para o alemão o descontentamento com as críticas.

"Ele (Beckenbauer) disse que o Brasil era sempre favorito nas Copas. Mas eu respondi que não, porque somos muito defensivos", disse Jorginho, antes de acrescentar: "Como um time que marcou mais de 100 gols e sofreu 30 pode ser defensivo?"

"Faziam essa mesma crítica em 1994 e o nosso time foi campeão com uma equipe que era firme na defesa, mas atacava com os dois laterais. A mesma coisa acontece dessa vez, apesar de algumas pessoas acharem o contrário", acrescentou o ex-lateral do Brasil, campeão mundial com a seleção nos EUA em 1994.

Durante a palestra, Dunga lembrou passagens marcantes de sua período na seleção desde que assumiu o cargo, após a Copa de 2006, para sua primeira experiência como técnico de futebol.

Ao destacar a recuperação do espírito de equipe entre os jogadores, ele reiterou que as portas do time estão fechadas para atletas que não tiverem o mesmo sentimento de união defendido pelo treinador.

"Não basta qualidade técnica para se estar na seleção. Para entrar nesse grupo é preciso ser comprometido e competitivo, caso contrário não entra", disse Dunga, sem citar exemplos, mas numa indicação de que jogadores conhecidos por atitudes de estrela, como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, não devem ter chance de disputar o Mundial.

(Reportagem de Pedro Fonseca)