22 de Fevereiro de 2010 / às 20:04 / 8 anos atrás

ENTREVISTA-África do Sul diz que violência no Brasil é pior

<p>O comiss&aacute;rio de pol&iacute;cia da &Aacute;frica do Sul, Bheki Cele, participa de coletiva de imprensa em Pret&oacute;ria, 2009. Ele disse nesta segunda-feira que seu pa&iacute;s &eacute; injustamente considerada o pa&iacute;s mais violento do mundo. 29/07/2009Siphiwe Sibeko</p>

Por Gordon Bell

PRETÓRIA (Reuters) - A África do Sul é injustamente considerada o país mais violento do mundo e o Brasil, que vai sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, tem problemas maiores com a criminalidade, disse nesta segunda-feira o principal chefe de polícia do país anfitrião do Mundial da Fifa deste ano.

"Eu diria que o crime no Brasil é pior... acho que lá é o único país do mundo onde um helicóptero foi derrubado por criminosos", disse em entrevista à Reuters o comissário de polícia do país Bheki Cele nesta segunda-feira. "Normalmente um helicóptero é alvejado em campos de batalha."

"Quando as pessoas dizem que a África do Sul lidera (as estatísticas de criminalidade), com que base elas dizem isso se não existe uma estatística internacional sobre crimes?", questionou.

O comissário referiu-se ao ataque de supostos traficantes a um helicóptero da polícia do Rio de Janeiro em outubro de 2009, quando a aeronave foi derrubada por disparos dos suspeitos durante operação numa favela da cidade.

Críticos afirmam que os altos índices de criminalidade são uma grande preocupação para torcedores estrangeiros que pretendem acompanhar a Copa do Mundo da África do Sul entre junho e julho.

Estatísticas oficiais do governo sul-africano mostram que mais de 18.000 pessoas foram assassinadas no país em 12 meses até março de 2009. Isso significa quase 50 assassinatos por dia, mais do que nos Estados Unidos, que têm população seis vezes maior.

Cele disse que seria insensato dizer que o crime não é um problema, mas acrescentou que a polícia não tem recebido o mérito devido por ter conseguido reduzir os números de assassinatos nos últimos seis anos.

Ele acrescentou que 41.000 policiais serão destacados para proteger a Copa do Mundo e que 1,3 bilhão de rands (170,1 milhões de dólares) foram gastos em equipamentos e operações, incluindo helicópteros e aviões.

INTERPOL E FBI

Cele disse que a África do Sul está trabalhando com a Interpol e o FBI para minimizar a ameaça de ataques terroristas durante o torneio.

"Ninguém nos informou que poderíamos ser alvo de terrorismo, mas também seria insensato dizer que não devemos olhar para isso. A inteligência internacional está se encontrando com outras agências de inteligência, recebemos conselhos e nos encontramos com eles, especialmente com os norte-americanos. Estamos trabalhando bem de perto com o FBI", afirmou Cele, que assumiu o cargo no ano passado.

O comissário disse que o histórico do país de organizar grandes eventos políticos e esportivos com sucesso tem que servir como exemplo.

"A História tem que estar do nosso lado, 140 eventos grandes foram realizados na África do Sul, organizados e protegidos corretamente pela polícia sul-africana", disse.

Apesar de não terem o mesmo tamanho da Copa do Mundo deste ano, esses eventos incluem a Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, o Mundial de Críquete de 2003 e a Copa Africana de Nações de 1996.

O governo sul-africano e os organizadores do Mundial têm dado garantias aos torcedores que eles estarão seguros e acusam a imprensa estrangeira de ser injusta nas críticas à segurança no país.

Cele ironizou o marketing feito por algumas empresas de segurança pessoal, como as "roupas antifacadas" oferecidas por uma firma britânica aos torcedores.

"Fico pensando quanto dinheiro eles estão colocando nesse projeto. Os auditores e acionistas vão acabar demitindo alguém... porque ninguém vai comprar isso."

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