FIFA endurece regras para transferência de jogadores

sábado, 13 de março de 2010 15:48 BRT
 

ZURIQUE (Reuters) - Um dirigente de um clube da América Central se mostrou surpreso quando foi informado que, para vender um jogador ao exterior, o montante da transferência agora precisa ser depositado em uma conta bancária.

"Por que é necessário uma conta bancária? Posso colocar o dinheiro em uma caixa-forte", disse. A discussão, que foi relatada por um funcionário da FIFA, foi uma de muitas reuniões com dirigentes de clubes da América Latina.

A resposta incrédula do dirigente mostra a contrariedade contra o novo sistema de transferência eletrônica da FIFA. De acordo com a entidade, ele vai combater a lavagem de dinheiro e a propriedade de jogadores na mão de terceiros.

Tradicionalmente, as transferências internacionais de jogadores acontecem através do envio de faxes entre as confederações nacionais de futebol envolvidas - um sistema que, segundo a FIFA, está aberto a todo o tipo de abuso.

"Até agora, as transações eram gerenciadas em papel. Um modelo que já tem 100 anos e que torna impossível manter um registro de tudo o que acontece", disse Mark Goddard, gerente geral do novo Sistema de Transferência (TMS, da sigla em inglês). O executivo explicou: "Tivemos casos de transferências imaginárias de jogadores que não existiam, que tinham sido inventados, basicamente, havia de tudo. Esse tipo de transação era uma prática comum."

Segundo Goddard, a FIFA vai ser capaz de seguir de maneira muito mais atenta ao que acontece no mercado internacional de transferências com o TMS instalado.

Agora, a transação só é completada quando o clube comprador e o clube vendedor informam ao sistema todos os dados da negociação, incluindo o montante, o salário do jogador, o agente ou advogado responsável, e a duração do contrato. O dinheiro deve ser transferido de uma conta bancária para outra.

"Este é um dos projetos mais detalhados que a FIFA já fez. Isso muda por completo o mercado de transferências", garante Goddard. "Não há mudanças nas regras, mas (...) se consegue um modo efetivo de garantir que as regras estão sendo cumpridas", completou.

COMBATE A TERCEIROS   Continuação...