ANÁLISE-África do Sul pode ter mais protestos antes da Copa

quarta-feira, 17 de março de 2010 16:27 BRT
 

Por Peroshni Govender

JOHANESBURGO (Reuters) - Um ressurgimento de protestos violentos remanescentes da era do apartheid pode atingir a África do Sul antes da Copa do Mundo, num momento em que a população pobre do país aumenta sua pressão por melhores condições de moradia e emprego.

Nos dois últimos meses, protestos em favelas e bairros pobres se tornaram quase diários, levando a polícia a usar canhões de água e balas de borracha para dispersar os manifestantes armados com paus e pedras.

E esses protestos podem se espalhar e ganhar força antes do principal evento esportivo do mundo a ser realizado na África pela primeira vez entre 11 de junho e 11 de julho, de acordo com analistas políticos.

Uma ameaça do influente sindicato Cosatu, com dois milhões de membros, de realizar uma greve nacional durante a Copa devido ao aumento nos preços da energia aumentou a pressão sobre o governo do presidente Jacob Zuma.

Sul-africanos pobres e desempregados, muitos ainda morando em cabanas quase 16 anos depois que o partido do governo ANC chegou ao poder, estão insatisfeitos com o que afirmam ser uma falha do governo em fornecer moradia decente, água limpa, eletricidade e emprego.

"O governo pode arcar com bilhões de rands para os estádios (para a Copa), mas não tem dinheiro para melhorar as nossas vidas", disse Morongoa Molokmone, que vive no assentamento Orange Farm, no sul de Johanesburgo.

Molokmone, que está desempregado e vive num pequeno barraco sem água e energia, disse que os pobres esperaram por anos por uma vida melhor.

O governo espera que a Copa do Mundo injete bilhões de rands na economia do país, após ter investido enormes quantias para melhorar a infraestrutura e construir novos estádios. Analistas do Bank of America/Merrill Lynch estimam que a Copa do Mundo pode injetar até 1,1 bilhão de dólares na economia do país.   Continuação...

 
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