30 de Abril de 2010 / às 19:30 / 7 anos atrás

ANÁLISE-Time à imagem de Dunga preocupa por falta de opções

<p>Dunga entra de carrinho no atacante chileno Ivan Zamorano em partida da Copa de 1998 na Fran&ccedil;a. Foto de arquivo. REUTERS/Arquivo</p>

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Assim como seu comandante, a seleção brasileira privilegia a firmeza. A equipe do técnico Dunga para a Copa do Mundo apostará principalmente num meio-campo de luta e marcação, as mesmas características que consagraram o ex-capitão quando jogador.

Respaldado por vitórias e títulos, Dunga parece não se abalar com as críticas e mantém a sisudez dos tempos de volante para defender seu grupo e responder negativamente à pressão para incluir mais jogadores habilidosos de ataque entre os 23 que irão à África do Sul.

Mas um time sem maiores opções ofensivas conseguirá alcançar seu principal objetivo e conquistar o hexa? Na opinião de especialistas ouvidos pela Reuters, a possibilidade é boa, mas há preocupação pela ausência de craques.

“O Brasil joga um futebol feio mas eficiente. Você vê pelos resultados, são vitórias importantes nesse período de preparação e acho que o Dunga tem um respaldo para acreditar nesse time”, disse à Reuters o ex-jogador da seleção e atual comentarista de tevê Junior, que no entanto defendeu a convocação das revelações do Santos Neymar e Paulo Henrique Ganso.

“Mas acho que existe espaço para jogadores que estão aparecendo bem e que poderiam perfeitamente fazer parte do grupo. São jogadores que os adversários não conhecem. Quem sabe um garoto desse entra e muda um jogo complicado?”, disse o ex-lateral, representante da seleção de 1982 que até hoje é lembrada pelo futebol encantador, mas que parou nas quartas-de-final do Mundial da Espanha.

Desde que assumiu a seleção brasileira após o fracasso na Copa de 2006, Dunga sempre privilegiou um meio-campo de característica defensiva em sua equipe, escalando na maioria das vezes três volantes e apenas um jogador de criação no setor.

A conquista da Copa América de 2007, sua primeira competição como técnico, serviu de base para a manutenção da estratégia, que também surtiu efeito nas vitórias sobre rivais do peso de Argentina, Itália, Inglaterra e Portugal, além da conquista da Copa das Confederações de 2009 e do primeiro lugar nas eliminatórias sul-americanas da Copa.

Mas apesar dos resultados, Dunga nunca esteve livre das críticas por ter implantado táticas defensivas, especialmente após empates consecutivos em casa por 0 x 0 com Bolívia e Colômbia nas eliminatórias, quando o time foi duramente vaiado pela ineficiência em romper a defesa rival.

SEM CRAQUES?

“A nossa preocupação com esse time é que você não vê jogadores que podem desequilibrar numa Copa do Mundo. Hoje o Kaká seria o único diferenciado, mas, pelo que tenho visto, ele não está em condições de assumir esse papel”, afirmou o capitão da seleção campeã do mundo em 1970, Carlos Alberto Torres.

Além de Kaká, que teve uma primeira temporada no Real Madrid marcada por contusões e longos períodos de inatividade, outro jogador da seleção que poderia desequilibrar é Adriano, mas o atacante do Flamengo voltou a ter problemas particulares influenciando dentro de campo e corre até risco de não ser convocado.

A menos de dois meses da estreia brasileira no Mundial, contra a Coreia do Norte em 15 de junho, tais circunstâncias serviram de combustível para aumentar a cobrança sobre Dunga para chamar jogadores de ataque como Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Paulo Henrique Ganso na lista de 23 nomes a ser anunciada no dia 11 de maio.

O treinador, no entanto, numa de suas raras entrevistas do ano, afirmou que não há espaço para surpresas. “É um trabalho de três anos e meio, os jogadores tiveram suas oportunidades. Quem entende de futebol, quem acompanha futebol, sabe que não existe surpresa.”

Em defesa de Dunga, um nome de peso como Carlos Alberto Parreira, técnico que recebeu as mesmas crítica a seu estilo de jogo antes da Copa de 1994 e conseguiu conquistar o tetracampeonato jogando de forma burocrática e apostando na marcação.

“Jogar para frente e perder? O Brasil é um time que faz muito gol, toma pouco gol, então está perfeito”, afirmou Parreira, cujo time, que tinha Dunga como capitão, ainda hoje é criticado apesar da conquista do título que encerrou um jejum de 24 anos.

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