ANÁLISE-Time à imagem de Dunga preocupa por falta de opções

sexta-feira, 30 de abril de 2010 16:39 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Assim como seu comandante, a seleção brasileira privilegia a firmeza. A equipe do técnico Dunga para a Copa do Mundo apostará principalmente num meio-campo de luta e marcação, as mesmas características que consagraram o ex-capitão quando jogador.

Respaldado por vitórias e títulos, Dunga parece não se abalar com as críticas e mantém a sisudez dos tempos de volante para defender seu grupo e responder negativamente à pressão para incluir mais jogadores habilidosos de ataque entre os 23 que irão à África do Sul.

Mas um time sem maiores opções ofensivas conseguirá alcançar seu principal objetivo e conquistar o hexa? Na opinião de especialistas ouvidos pela Reuters, a possibilidade é boa, mas há preocupação pela ausência de craques.

"O Brasil joga um futebol feio mas eficiente. Você vê pelos resultados, são vitórias importantes nesse período de preparação e acho que o Dunga tem um respaldo para acreditar nesse time", disse à Reuters o ex-jogador da seleção e atual comentarista de tevê Junior, que no entanto defendeu a convocação das revelações do Santos Neymar e Paulo Henrique Ganso.

"Mas acho que existe espaço para jogadores que estão aparecendo bem e que poderiam perfeitamente fazer parte do grupo. São jogadores que os adversários não conhecem. Quem sabe um garoto desse entra e muda um jogo complicado?", disse o ex-lateral, representante da seleção de 1982 que até hoje é lembrada pelo futebol encantador, mas que parou nas quartas-de-final do Mundial da Espanha.

Desde que assumiu a seleção brasileira após o fracasso na Copa de 2006, Dunga sempre privilegiou um meio-campo de característica defensiva em sua equipe, escalando na maioria das vezes três volantes e apenas um jogador de criação no setor.

A conquista da Copa América de 2007, sua primeira competição como técnico, serviu de base para a manutenção da estratégia, que também surtiu efeito nas vitórias sobre rivais do peso de Argentina, Itália, Inglaterra e Portugal, além da conquista da Copa das Confederações de 2009 e do primeiro lugar nas eliminatórias sul-americanas da Copa.

Mas apesar dos resultados, Dunga nunca esteve livre das críticas por ter implantado táticas defensivas, especialmente após empates consecutivos em casa por 0 x 0 com Bolívia e Colômbia nas eliminatórias, quando o time foi duramente vaiado pela ineficiência em romper a defesa rival.   Continuação...

 
<p>Dunga entra de carrinho no atacante chileno Ivan Zamorano em partida da Copa de 1998 na Fran&ccedil;a. Foto de arquivo. REUTERS/Arquivo</p>