ENTREVISTA-Queremos dar a volta por cima, diz Gilberto Silva

sexta-feira, 7 de maio de 2010 19:00 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Entre os prováveis titulares do Brasil para a Copa da África do Sul, Gilberto Silva é um dos dois únicos remanescentes do time campeão mundial em 2002. Mas não são as lembranças do título no Japão que vão servir de inspiração para ele este ano, e sim o aprendizado da derrota de quatro anos atrás na Alemanha.

O volante aponta o excesso de confiança e a badalação em torno da seleção brasileira como os principais problemas que custaram ao time visto como favorito a eliminação nas quartas-de-final da Copa passada, e garante que dessa vez o grupo, especialmente quem jogou em 2006, está concentrado em dar a volta por cima.

"A gente tirou as lições de 2006. Realmente houve oba-oba em torno da seleção e de repente a gente perdeu a concentração num momento importante", disse o jogador de 33 anos em entrevista à Reuters nesta sexta-feira.

"Pode ter havido uma falta de concentração pelo fato de o Brasil ter chegado com todo aquele oba-oba, e de repente até um excesso de confiança. A gente sabe que ficou devendo, principalmente para nós mesmos", disse.

"Esse grupo agora, ainda mais o meu caso e dos outros jogadores que estiveram em 2006 -- Lúcio, Juan, Kaká --, o que a gente quer é dar a volta por cima depois do que a gente viveu", acrescentou Gilberto, que, ao lado do capitão Lúcio, são os únicos titulares do atual time e da equipe que conquistou o penta em 2002.

Com 91 partidas pela seleção, o jogador é um dos pontos de confiança do técnico Dunga tanto dentro como fora de campo. Apesar do estilo tranquilo e mais calado, é sempre escolhido como capitão substituto e participa desde o princípio do trabalho de reconstrução do time promovido pelo treinador.

Segundo o volante, em quatro anos foi montado um grupo forte que vai tentar na África do Sul encerrar em alta um ciclo que incluiu a conquista da Copa América 2007, Copa das Confederações 2009 e a liderança das eliminatórias para o Mundial.

"Nesse período com o Dunga a gente teve que começar o trabalho do zero. A gente recomeçou do nada, juntando os pedaços, e aos pouquinhos, com muita dificuldade, o grupo foi sendo montado", afirmou.   Continuação...