19 de Maio de 2010 / às 16:38 / 7 anos atrás

Portugal volta a cruzar caminho do Brasil, que busca evitar 1966

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Brasil e Portugal voltarão a duelar pela última rodada de uma primeira fase de Copa do Mundo após 44 anos no dia 25 de junho em Durban, na África do Sul. Se tudo correr como pretendem o técnico Dunga e seus comandados, no entanto, as semelhanças ficarão por aí, e o Brasil chegará ao confronto com os "patrícios" já garantido nas oitavas-de-final.

O desejo de não depender de um resultado contra os portugueses se explica não só pelo fato de a equipe lusa ser, na teoria, a maior pedreira que o Brasil pegará na primeira fase, mas também pela história.

Em 19 de julho de 1966, uma seleção brasileira formada por astros já consagrados, como Pelé, e atletas que brilhariam quatro anos mais tarde, caso de Jairzinho, entrou no gramado do Goodison Park, em Liverpool, com a missão de bater a melhor seleção portuguesa da história, liderada por Eusébio, para não ficar pelo caminho, ainda na primeira fase do Mundial.

Já na época um peso pesado do futebol, após o bicampeonato em 1958 e 1962, o Brasil sucumbiu a Eusébio e não pôde contar com a ajuda de Pelé, caçado em campo pelos marcadores portugueses. Resultado, vitória portuguesa por 3 x 1.

"O Brasil realmente não jogou muito bem aquele jogo", lembra o jornalista brasileiro Orlando Duarte, que cobriu o Mundial de 1966 na Inglaterra e é autor de livros sobre a história das Copas. "E Portugal também tinha um bom time."

Na época, o futebol português era destaque no cenário europeu e mundial. O Benfica, time de maior torcida do país, levantou a então Copa dos Clubes Campeões da Europa, o equivalente à atual Liga dos Campeões, em 1961 e 1962 pondo fim à hegemonia europeia do Real Madrid.

FALHAS DE PREPARAÇÃO

Portugal abriu caminho para a segunda pior campanha do Brasil na história das Copas com uma falha do goleiro brasileiro Manga. Após cruzamento de Eusébio, Manga não segurou a bola e, de quebra, colocou-a na cabeça de Simões, que abriu o placar aos 15 minutos.

"Nosso goleiro, Manga, falhou, é verdade. Os portugueses marcaram o Pelé com certa violência, é verdade", conta Orlando Duarte.

O Rei do Futebol realmente sofreu naquela partida. Tornou-se ícone da história das Copas a imagem em que, após sofrer duas faltas violentas no mesmo lance, Pelé deixa o gramado carregado. A partir daí, permaneceria mancando em campo, fazendo número, já que naquele tempo não eram permitidas substituições.

Eusébio fez o segundo de Portugal aos 27 minutos do primeiro tempo, de cabeça, na pequena área, cara-a-cara com Manga. Rildo chegou a descontar para o Brasil, aos 25 do segundo tempo, mas Eusébio, o "Pantera Negra", decretou a volta do Brasil para casa com um belo chute, aos 40 da etapa final.

O Brasil se despedia do Mundial com apenas uma vitória, 2 x 0 sobre a Bulgária, e duas derrotas pelo mesmo placar para portugueses e húngaros.

TOQUE BRASILEIRO

Assim como no Mundial deste ano, em que Portugal contará com ajuda brasileira no Mundial --Deco e Liédson estão confirmados, Pepe, machucado, é dúvida-- o time luso de 1966 também tinha um toque brasileiro.

"O Otto Glória (treinador de Portugal naquela Copa) era um bom técnico, e sabia como marcar o Brasil", afirma o jornalista. "O Brasil não tinha chance naquela Copa", avalia.

Ainda assim, a seleção poderia ter ido mais longe e evitado o vexame de cair na primeira fase. A campanha brasileira no Mundial de 1966 foi marcada por um excesso de substituições na equipe, problemas na organização e na preparação física.

"Bagunça (que existiu em 1966), agora não existe", diz Orlando Duarte, que aponta o Brasil como favorito contra os portugueses na África do Sul.

"Portugal evoluiu muito com Felipão, evoluiu ainda mais com os jogadores brasileiros que têm dupla nacionalidade", reconhece o jornalista ao mencionar a passagem bem-sucedida de Luiz Felipe Scolari, campeão do mundo com o Brasil em 2002, à frente da seleção portuguesa. "Mas não tem jogadores extraordinários, com exceção do Cristiano Ronaldo."

Para chegar á última rodada da primeira fase sem correr riscos de reviver o pesadelo de 1966, o Brasil precisará de bons resultados diante de Coreia do Norte, adversário da estreia, e Costa do Marfim, o outro rival brasileiro no Grupo G do Mundial.

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