"Ermitã" Coreia do Norte se prepara para holofotes da Copa

quinta-feira, 20 de maio de 2010 09:59 BRT
 

Por Jon Herskovitz

SEUL (Reuters) - Nas raras ocasiões em que a Coreia do Norte aparece diante do mundo, costuma ser para enfrentar sanções por perturbar a segurança regional, e não para receber aplausos em estádios lotados.

Mas isso vai acontecer em junho, quando o país-ermitão volta a disputar uma Copa do Mundo, talvez esperando um novo "milagre" como o de 1966, quando conquistou um pouco de simpatia ao protagonizar uma das maiores zebras da história do futebol, contra a Itália.

Analistas dizem, no entanto, que nada do que acontecer nos gramados sul-africanos irá alterar o comportamento do regime comunista local, que gosta de fazer o papel de Davi e atribuir eventuais vitórias esportivas aos ensinamentos do dirigente Kim Jong-il - enquanto as derrotas ficam na conta dos "Golias" mundiais, incomodados com o brilho do "Estimado Líder".

Foi assim, por exemplo, que a imprensa estatal se referiu à classificação para a Copa: "Os emocionantes fatos provam mais uma vez que a experiente e testada liderança do secretário-geral Kim Jong-il e sua grande devoção patriótica são a fonte de todas as vitórias, dos milagres e da força inexaurível."

Ao contrário de outros regimes comunistas do mundo, a Coreia do Norte nunca usou vitórias esportivas como prova da superioridade do seu sistema. Mas o regime usa o esporte para inspirar as massas, trata atletas vitoriosos como heróis, e faz questão de lembrar aos participantes de competições internacionais que suas famílias, amigos e colegas que ficaram na Coreia do Norte serão punidos se eles andarem fora da linha ou desertarem.