25 de Maio de 2010 / às 13:49 / em 7 anos

SAIBA MAIS- Greves e protestos ameaçam a Copa na África do Sul?

Por Marius Bosch

JOHANESBURGO (Reuters) - Trabalhadores do setor de transportes sul-africano, em greve pela terceira semana, pediram que os empregados da South African Airways e de outras empresas demonstrem sua solidariedade parando também, a menos de três semanas do começo da Copa do Mundo no país.

A greve no grupo Transnet (ferrovias e logística) afeta as exportações de metais, carros, vinhos e frutas para Ásia e Europa. O governo diz que os produtores rurais já tiveram prejuízos de 127 milhões de dólares, e que há riscos para empregos agrícolas.

A Fifa disse que as importações de alguns equipamentos a serem usados na Copa também foram prejudicadas.

Veja a seguir algumas questões que a greve desperta.

HAVERÁ OUTRAS PARALISAÇÕES?

O maior sindicato sul-africano, o Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM, na sigla em inglês), disse que seus filiados na estatal energética Eskom vão parar em 26 de maio, reivindicando melhores salários. Uma greve na Eskom pode afetar o fornecimento de eletricidade e causar constrangimentos para o governo de Jacob Zuma na reta final dos preparativos para a Copa.

O sindicato e a Eskom estão negociando na terça-feira.

Economistas e analistas têm criticado os sindicatos por usarem a Copa para fazerem reivindicações como a de aumentos salariais bem superiores à inflação, de 5,1 por cento.

O NUM cancelou uma greve no ano passado após chegar a um acordo com a Eskom, mas retomou a ameaça depois de a empresa deixar de implementar alguns itens do acordo.

A Eskom diz ter planos de contingência para assegurar o abastecimento energético. Mas com a aproximação do inverno, quando a demanda por eletricidade cresce, uma paralisação prolongada poderia causar apagões.

A África do Sul já sofreu uma grave crise energética em 2008, refletindo a falta de investimentos no setor. O problema reduziu a produtividade industrial e mineral durante vários dias.

A poderosa central sindical Cosatu também ameaça convocar uma greve contra as tarifas elétricas durante a Copa.

A Cosatu se opõe a um aumento tarifário de 25 por cento concedido à Eskom. Os sindicalistas dizem que esse e outros dois aumentos programados até 2012 terão um efeito desastroso sobre os mais pobres e causarão mais desemprego.

PODE HAVER PROTESTOS DURANTE A COPA?

Desde o começo do ano, há uma escalada de protestos em “townships” (subúrbios habitados por negros) e favelas, reivindicando moradia, emprego e serviços básicos, como eletricidade e água.

No primeiro trimestre do ano, houve 54 grandes manifestações, quase metade das 109 registradas em todo o ano passado, segundo o instituto Municipal IQ, que monitora questões locais no país.

Os protestos eventualmente descambam para a violência, evocando os confrontos da época do apartheid entre manifestantes e policiais. Eles acontecem em todo o país, e a polícia diz estar preparada para dissolver eventuais manifestações durante a Copa.

HÁ PRESSÃO SOBRE ZUMA?

Se a inquietação sindical prosseguir, Zuma e seu governo ficarão mais pressionados a tomarem providências para evitar impactos negativos durante a Copa, evento para o qual a África do Sul se prepara desde 2004.

Zuma já pediu aos trabalhadores que não perturbem o torneio, mas o apelo não teve impacto até agora. Qualquer medida drástica do governo pode abalar afetar sua popularidade.

HÁ OUTROS PROTESTOS EM VISTA?

O Consórcio para Refugiados e Migrantes na África do Sul (Cormsa), que agrupa entidades de direitos humanos e apoio a imigrantes, como Anistia Internacional e Cruz Vermelha Sul-Africana, alertou neste mês para uma nova onda de ataques contra imigrantes.

Há dois anos, uma onda de incidentes xenófobos deixou pelo menos 62 mortos e 100 mil refugiados.

De acordo com o Cormsa, pelo menos dez casos de violência contra estrangeiros já ocorreram desde o início do ano.

A onda xenófoba de 2008 só foi controlada depois de uma incisiva ação da polícia e dos militares.

QUAL SERÁ O IMPACTO DOS PROTESTOS?

Qualquer protesto violento ou ataque xenófobo nas próximas oito semanas - ou seja, até o fim da Copa - terá um efeito devastador sobre a imagem da África do Sul, já que os incidentes serão amplificados pela presença de dezenas de milhares jornalistas, torcedores e autoridades de todo o mundo.

O governo sul-africano gastou bilhões de dólares na melhoria da sua infraestrutura e na construção e reforma de estádios, esperando que a Copa beneficie a imagem do país e atraia milhões de turistas adicionais nos próximos cinco anos.

Grandes distúrbios, crimes graves ou um atentado terrorista durante a Copa estragarão esses planos, além de abalarem também os mercados financeiros no país mais rico da África.

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