Brasil enfrenta Zimbábue, 110o no ranking da Fifa

segunda-feira, 31 de maio de 2010 09:32 BRT
 

Por Pedro Fonseca

JOHANESBURGO (Reuters) - Quando entrar em campo em Harare para enfrentar o Zimbábue em seu primeiro amistoso de preparação para a Copa do Mundo, na quarta-feira, a seleção brasileira estará diante da seleção de um país governado há 30 anos pelo polêmico Robert Mugabe e onde a maioria da população vive com menos de 1 dólar por dia.

Robert Mugabe, líder do Zimbábue desde 1980, é esperado no estádio para assistir ao jogo entre o Brasil e o país africano, no qual milhares de torcedores devem lotar o campo ávidos por ver pela primeira vez os jogadores brasileiros.

Apesar de toda tensão vivida no Zimbábue nos últimos anos, incluindo uma taxa oficial de inflação anual superior a 4.500 por cento, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aceitou disputar o amistoso como parte de um acordo em que todos os jogos da seleção são marcados por uma empresa de promoção de eventos esportivos.

"Se são países reconhecidos pela Fifa a gente pode jogar", afirmou o chefe de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, explicando que os adversários da seleção são agendados por uma empresa que comprou os direitos de negociar os jogos do Brasil.

"A gente não joga para ditador, para rei ou para rainha, a gente joga para o povo, para os torcedores, que normalmente são os mais prejudicados por esses regimes. Quando a gente foi ao Haiti a gente foi jogar para o povo", acrescentou Paiva, lembrando o "Jogo da Paz" do Brasil contra o Haiti, em 2004, promovido em um momento em que se buscava conter os conflitos no país mais pobre das Américas após a queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide naquele mesmo ano.

Vizinho da África do Sul, o Zimbábue será, ao lado da Tanzânia, um dos dois únicos amistosos do Brasil antes da estreia na Copa do Mundo, contra a Coreia do Norte, em 15 de junho. O país ocupa apenas a 110a posição no ranking mundial, e o Estádio Nacional, com capacidade para 60 mil pessoas, foi recentemente reformado.

O ministro do Turismo do país, Walter Muzembi, disse que três empresas, incluindo a unidade local da segunda maior produtora mundial de platina, Impala Platinum Holdings, pagaram 70 por cento do valor cobrado pela promotora Kentaro pelo jogo contra o Brasil, com o governo completando o valor restante.

O valor não foi revelado pelo governo, mas a imprensa sul-africana afirmou que o custo do jogo chegaria a 1,8 milhão de dólares.   Continuação...