9 de Junho de 2010 / às 21:05 / em 7 anos

ANÁLISE-Reservas do Brasil acertam marcação e ameaçam titulares

<p>Sele&ccedil;&atilde;o brasileira treina em Johanesburgo. Ap&oacute;s amistoso com a Tanz&acirc;nia, reservas do Brasil amea&ccedil;am titulares. REUTERS/Paulo Whitaker</p>

Por Pedro Fonseca

JOHANESBURGO (Reuters) - As alterações feitas pelo técnico Dunga no amistoso contra a Tanzânia corrigiram falhas da defesa do Brasil contra um adversário fraco, deram mais mobilidade ao ataque e acabaram provocando discussões sobre possíveis mudanças na equipe titular ao longo da Copa do Mundo.

Apesar de ter ido para o intervalo vencendo por 2 x 0, a seleção brasileira apresentou deficiências no setor de marcação, especialmente pelo lado esquerdo, onde Michel Bastos dava muito espaço ao fraco time africano e Felipe Melo não conseguia fazer a cobertura adequada. Em duas oportunidades a Tanzânia quase chegou ao gol atacando por ali no começo da partida.

O próprio Dunga reconheceu os problemas da etapa inicial, que foram corrigidos quando o treinador fez quatro substituições ainda no intervalo. Entraram Luisão, Gilberto, Josué e Ramires nos lugares de Lúcio, Michel Bastos, Gilberto Silva e Felipe Melo, e a seleção então deslanchou para uma goleada por 5 x 1.

Com a nova formação, o veterano Gilberto corrigiu a marcação pela lateral-esquerda, dando maior liberdade para Ramires atacar. Não à toa o volante marcou duas vezes nos 45 minutos que ficou em campo, seus primeiros gols com a camisa do Brasil, coroando uma atuação de muita disposição contra um rival modesto, mas que havia dado trabalho ao Brasil no primeiro tempo.

“A entrada do Ramires melhorou bastante porque ele tem bastante força e também velocidade para sair jogando. O Felipe Melo estava errando muito, estava chegando atrasado na marcação e errando passes. E ele (Ramires) como segundo volante deu estabilidade à marcação e o Brasil começou a sair bem”, disse à Reuters o técnico Antônio Lopes, coordenador da seleção no Mundial de 2002, quando o time foi campeão.

A entrada de Daniel Alves no lugar de Elano no segundo tempo, a substituição mais treinada por Dunga, funcionou para levar o time à frente pela direita, mas essa parece ser a única alternativa da equipe quando precisar furar uma defesa bem armada.

“O Brasil ganhou ofensividade pelo lado direito”, disse Lopes, acrescentando que faria três mudanças no time titular, colocando Ramires, Daniel Alves e Gilberto nas vagas de Felipe Melo, Elano e Michel Bastos, respectivamente.

O treinador não acredita, porém, que Dunga fará alteração no meio-campo, pelo menos para o início do Mundial da África do Sul. Mas vê chance de Gilberto ganhar um lugar na lateral-esquerda e não descarta mudanças ao longo do torneio.

“O principal problema do Brasil é o meio-campo. Gilberto Silva, Felipe Melo e Elano não estão dando qualidade técnica... E se a equipe não for bem, ele tem que mudar. Isso acontece muito em Copa do Mundo”, explicou.

Nas últimas duas vezes em que o Brasil conquistou a Copa houve mudanças entre os titulares. Em 1994, Mazinho e Branco substituíram Raí e Leonardo, e em 2002 Kléberson ganhou a vaga nas quartas-de-final e não saiu mais.

ATAQUE

Se do meio-campo para trás as alterações de Dunga surtiram efeito, o mesmo não se pode dizer do ataque. Dos oito gols marcados nos dois jogos de preparação para a Copa -- a equipe venceu também o Zimbábue por 3 x 0 --, o único atacante a balançar as redes foi Robinho, duas vezes contra a Tanzânia e uma no Zimbábue.

Os reservas Nilmar e Grafite, que entraram no decorrer do segundo tempo de ambas as partidas, não conseguiram marcar, mesmo enfrentando defensores que estão longe de ocupar um espaço entre os melhores. O mesmo aconteceu com o titular Luís Fabiano, que já está há mais de nove meses sem fazer um gol pelo Brasil.

“O aspecto ofensivo pode ser um problema (para a seleção na Copa). Não temos hoje jogadores com os quais podemos contar para fazer grande quantidade de gols”, disse o capitão do tricampeonato na Copa de 1970, Carlos Alberto Torres, que criticou também a criatividade do meio-campo.

“Não temos nenhum jogador muito criativo, de grandes lançamentos, de vir com a bola de trás, tocar e entrar na defesa adversária”, acrescentou ele.

Numa situação de dificuldade ofensiva, podem fazer falta nomes ignorados por Dunga, como Adriano, Ronaldinho Gaúcho, Paulo Henrique Ganso e Neymar.

“Tenho certeza que o Ronaldinho, com essas três semanas de treinamento, se recuperaria e seria de uma utilidade bastante grande para a nossa seleção”, declarou Torres.

Antônio Lopes tem a mesma opinião. “O Ronaldinho está bem, com ele o Milan subiu de produção. E é um jogador experiente, com duas Copas do Mundo”, disse.

Com reportagem de Tatiana Ramil em São Paulo e Reuters TV no Rio de Janeiro

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