ESTREIA-"Esquadrão Classe A" dá nova roupagem a seriado dos 80

quinta-feira, 10 de junho de 2010 11:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Numa época em que qualquer coisa minimamente pop é passível de ser refeita, até que demorou muito para a equipe do programa de TV "Esquadrão Classe A" chegar aos cinemas.

Protagonistas de uma das séries de ação mais populares da década de 1980, os quatro mercenários parecem não ter envelhecido um dia sequer - até porque, desta vez, são interpretados por Liam Neeson ("O Preço da Traição"), Bradley Cooper ("Se Beber, não Case"), o lutador de artes marciais Quinton 'Rampage' Jackson e Sharlto Copley (o protagonista de "Distrito 9").

Os atores são novos, os aparatos também, mas o espírito da série parece não ter mudado nesse longa, que estreia em circuito nacional, em cópias dubladas e legendadas. O filme é dirigido por Joe Carnahan ("A Última Cartada"), a partir do roteiro escrito por ele e Brian Bloom, que também atua. O perfil dos personagens é o mesmo da série: Hannibal (Neeson) é o chefe; Cara-de-pau (Cooper), o galã; BA (Jackson), apesar de todo o tamanho e a cara de mau é o mais doce; e Murdock (Copley) é louco - literalmente.

O filme conta como se formou o esquadrão, que dessa vez, ao contrário do original, em que eram veteranos do Vietnã, e agora são do Iraque. Como no original, acabam caindo numa armadilha, presos e julgados numa corte marcial. Sentenciados, passam a viver escondidos, quando conseguem fugir da prisão.

Essa é só a metade do filme que, depois de apresentar os personagens e seus perfis, engata uma história que tem a ver com o motivo da prisão do grupo. Tentar entender ou levar a sério o que está realmente acontecendo é pura bobagem. A diversão em "Esquadrão Classe A" nunca está no porque as coisas acontecem, mas sim no como elas acontecem.

A desculpa para as perseguições, pancadas e tiros é uma maleta com matrizes para a produção de notas de dólares. Esse, como diria o diretor Alfred Hitchcock, é o MacGuffin do filme, ou seja, um elemento sem qualquer valor narrativo, mas que serve como causa para boa parte da ação. E, no quesito ação, "Esquadrão Classe A" não deve decepcionar.

Os vilões, por sua vez, custam a se revelar mas, quando o fazem, pancadas, perseguições e tiroteios acontecem sem parar - até porque, realmente, esses são os únicos elementos que contam no filme. Patrick Wilson (Watchmen) é Lynch, um agente da CIA sobre quem se sabe muito pouco. Brian Bloom é Pike, um sujeito que trabalha para o Exército, e cujo caráter não parece ser dos mais confiáveis.

A única presença feminina que conta no filme é Jessica Biel (de "Idas e Vindas do Amor"), uma oficial do Exército cuja patente é rebaixada depois da armadilha na qual caem os membros do esquadrão. Ela é ex-namorada de Cara-de-Pau - e como as coisas não acabaram muito bem, existe sempre uma tensão no ar.

"Esquadrão Classe A" parece reunir todos os elementos necessários para a série ganhar um fôlego cinematográfico, ação, humor, mulher bonita, lutas, perseguições e tiros. Se o filme fizer sucesso de bilheteria, pode abrir as portas para outras adaptações, como "Miami Vice" ensaiou em 2006, mas não conseguiu.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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