10 de Junho de 2010 / às 21:48 / em 7 anos

Milhares dançam em Soweto no show de abertura da Copa

<p>Milhares de pessoas participaram da cerim&ocirc;nia de abertura da Copa do Mundo no Orlando Stadium em Soweto, em Johanesburgo. REUTERS/Radu Sigheti</p>

Por Opheera McDoom e Gugulakhe Lourie

SOWETO, África do Sul (Reuters) - Milhares de pessoas dançaram na quinta-feira dentro do estádio Orlando, em Soweto, subúrbio de Johanesburgo, num inédito show de Copa do Mundo, na véspera da abertura oficial do evento.

Apesar do frio, o público vibrou com a presença de jogadores e de astros locais e internacionais da música.

“Todo o mundo veio a Soweto (...), e o futebol foi uma das coisas que ajudaram as pessoas a perceberem que estamos conectados - esse esporte maravilhoso uniu o país”, disse à Reuters will.i.am, da banda norte-americana Black Eyed Peas, antes de subir ao palco. “Isto é a humanidade se unindo.”

O show foi transmitido ao vivo para o mundo inteiro. Entre as atrações estiveram Alicia Keys, Angelique Kidjo e Vusi Mahlasela. A colombiana Shakira cantou o hino oficial da Copa, “Waka Waka (This time for Africa)”, com o grupo sul-africano Freshly Ground.

Crianças e idosos agitavam bandeiras sul-africanas e cantavam a canção “Shosholoza”, habitual nos estádios. O clima nesse estádio para 30 mil espectadores lembrava o de 1995, quando a África do Sul, então recém-libertada de décadas de apartheid, venceu a Copa do Mundo de rúgbi. O evento foi visto como um fator de união para o país.

“Isto é a história sendo feita. Há apenas 15 anos não tínhamos certeza sobre a nossa identidade, mas eis-nos aqui como uma nação”, disse a bancária Vanitha Govender, 44 anos.

Shimmy Jiyane, líder do Coral Gospel de Soweto, disse que o mundo estava vendo a “nação arco-íris” que é a África do Sul.

“A luta (contra o apartheid) começou aqui em Soweto (...), e agora Soweto nós chamamos de Hollywood - temos shoppings, temos belos campos de futebol, temos trens - você não tem medo de ir a lugar algum, porque é bonito estar aqui.”

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse que “a África está mostrando ao mundo que é capaz de realizar qualquer coisa, como qualquer outra região. A África está recebendo este torneio, a África do Sul é justamente o palco”.

A arrecadação do show será destinada a 20 instituições de todo o continente que oferecem saúde, educação e aprendizado do futebol em comunidades carentes, o que é uma campanha social oficial da Fifa durante a Copa.

Ovacionado pela multidão que gritava seu nome, o arcebispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz de 1984, apareceu todo vestido de verde e amarelo - cores da seleção nacional - e resumiu assim o seu sentimento: “É como se eu estivesse sonhando - me acordem! Obrigado por ajudarem esta lagarta feia que éramos a virar uma lindíssima borboleta”.

Esta é a primeira vez que a Copa acontece na África. A partida inaugural, na sexta-feira, será entre África do Sul e México. A final está marcada para 11 de julho.

Reportagem adicional de Serena Chaudhry e Agnieszka Flak

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