Dunga vê Ásia em evolução; retranca norte-coreana preocupa

segunda-feira, 14 de junho de 2010 16:27 BRT
 

Por Pedro Fonseca

JOHANESBURGO (Reuters) - As vitórias de Japão e Coreia do Sul em suas estreias na Copa do Mundo de 2010 são um reflexo da evolução do futebol asiático, e por isso o Brasil não pode ser visto como favorito para o jogo de terça-feira contra a Coreia do Norte, afirmou o técnico Dunga nesta segunda-feira.

Enquanto no Mundial de 2006 nenhuma equipe asiática se classificou para as oitavas-de-final, nessa Copa do Mundo Japão e Coreia do Sul deram passos importantes ao derrotarem os adversários de maior tradição Grécia e Camarões, respectivamente, logo em suas primeiras partidas na África do Sul.

O técnico brasileiro se mostrou preocupado com a provável retranca que será armada pela Coreia do Norte, depois que o Brasil teve enormes dificuldades nas eliminatórias contra equipes que jogaram fechadas em seus campos de defesa - empatou por 0 x 0 em casa contra Bolívia, Colômbia, Venezuela e Argentina.

"As seleções asiáticas evoluíram muito nesses últimos tempos. Futebol é 11 contra 11, e quem entrar lá e jogar o melhor futebol vai ganhar. Às vezes a gente tem mania de achar que esse é melhor e vai ganhar, mas o campo não mente, o campo vai mostrar a verdade", disse Dunga em entrevista coletiva após treino da seleção brasileira no estádio Ellis Park, local da partida de terça-feira contra os norte-coreanos.

"(Coreia do Norte) é um time compacto, que se fecha na defesa e joga em velocidade. Vamos ter que encontrar uma forma de encarar isso", acrescentou o treinador.

"GOSTO DE VENCER"

O discurso do treinador contrasta com o futebol apresentado pelos norte-coreanos, que estão apenas em 105o lugar no ranking da Fifa -- a pior posição entre os 32 times do Mundial -- e que nos últimos sete jogos de preparação para a Copa perderam cinco e empataram dois.

Mesmo assim, Dunga descartou que a seleção jogará para dar espetáculo, lembrando os títulos conquistados pela equipe nos últimos anos sob o seu comando - Copa América, Copa das Confederação e o 1o lugar das eliminatórias. "Cada um tem um gosto, eu gosto de vencer", afirmou.

Dunga também comentou as reclamações feitas por algumas seleções a respeito da altitude de Johanesburgo, que está localizada a 1.700 metros acima do nível do mar. De acordo com o treinador, esse fator foi avaliado no planejamento do Brasil, que foi o segundo time a chegar à África do Sul para o Mundial, depois apenas da Austrália.

"Justamente por isso que a gente veio um tempo antes, pra se adaptar a essa situação", disse Dunga. "É difícil para quem chega logo em seguida jogar nessas condições, mas todos sabiam que ia haver altitude. Mas se eles acharam difícil aqui, podemos fazer um amistoso na Bolívia para eles verem o que é difícil", brincou o técnico.

 
<p>T&eacute;cnico da sele&ccedil;&atilde;o Dunga afirmou que Brasil n&atilde;o pode ser favorito em jogo contra a Coreia do Norte, na estreia da Copa. REUTERS/Paulo Whitaker</p>