Greves durante Copa do Mundo podem penalizar África do Sul

quarta-feira, 16 de junho de 2010 09:39 BRT
 

Por Jon Herskovitz

JOHANESBURGO (Reuters) - Um dos maiores temores das centenas de milhares de turistas na África do Sul para a Copa do Mundo é a alta taxa de criminalidade do país, mas eles deveriam ficar igualmente preocupados com os sindicatos do país.

Essas associações têm ameaçado cortar a energia, congelar os transportes, abandonar serviços de segurança e dificultar a imigração nos aeroportos durante o Mundial se suas exigências por melhores salários e condições de trabalho não forem satisfeitas.

Poucos analistas acreditam que os sindicatos, liderados pelo Congresso de Sindicatos do Comércio da África do Sul (COSATU), cumpra todas as suas ameaças ou que o governo permita uma interrupção em serviços essenciais que interromperiam bruscamente a Copa do Mundo.

Mas tal perturbação em um momento que deveria ser uma mostra de unidade nacional despertou temores entre investidores de que as ações dos sindicatos possam afetar os lucros, e serviu como lembrete da dificuldade de fazer negócios na maior economia africana por causa de seu mercado de trabalho caro e inflexível.

"É um constrangimento para o governo sul-africano não conseguir cumprir as promessas feitas à Fifa de que garantiria um torneio livre de greves", declarou Mark Schroeder, analista da Stratfor, uma companhia de inteligência global.

"Mais importante ainda, é constrangedor para um governo que luta para atrair investimento estrangeiro", disse ele.

Mais de uma dúzia de sindicatos filiados à COSATU ameaçaram entrar em greve durante a Copa, pressionando por aumentos de salário muito acima da inflação.

"Nos recusamos a ser chantageados pelo empregador por causa da Copa do Mundo de 2010 e vamos lutar até que nossas exigências sejam atendidas", disse Mungwena Maluleke, negociador que representa os sindicatos ligados à COSATU, em comunicado.