Sindicato da África do Sul rejeita proposta de estatal elétrica

terça-feira, 22 de junho de 2010 10:19 BRT
 

Por James Macharia

JOHANESBURGO (Reuters) - O maior sindicato da África do Sul disse nesta terça que rejeitou a última proposta da empresa estatal de energia Eskom, mas que vai continuar a debater a questão antes de optar por uma greve que poderia atrapalhar a Copa do Mundo.

A união nacional dos trabalhadores em minas (NUM, da sigla em inglês), que representa metade dos 32 mil trabalhadores na empresa, diminuiu o tom de ameaça de greve nesta semana seguindo o conselho de um mediador. A NUM disse que vai dar prazo até quinta para a Eskom oferecer um acordo melhor do que os 8 por cento inicialmente oferecidos.

"Estamos negociando de boa fé, mas rejeitamos totalmente a oferta", disse Lesiba Seshoka, porta-voz da NUM, que na semana passada alertou que seus associados poderiam parar. "Estamos dando o prazo para a Eskom até quinta para oferecer algo bom; nós ainda não chegamos ao estágio de greve", acrescentou.

Não é provável que uma greve prejudique a oferta de energia nos estádios, que possuem geradores a diesel de prontidão, mas há a preocupação de que a ação gere interrupções de energia para a população e irrite os milhares de telespectadores que estão vendo os jogos pela televisão.

A maior preocupação é os danos que a greve poderia trazer para a economia, especialmente em manufatura e empresas de mineração que representam os maiores produtores de platina do mundo e o quarto maior em ouro. Uma greve prolongada pode congelar a mineração e isso pode afetar os preços e a produção de metais.

A NUM e dois outros sindicatos, que representam no total mais do que dois terços dos funcionários, querem um aumento três vezes maior do que a inflação, que está em 4.8 por cento. Se a greve se confirmar, os outros sindicatos indicaram que podem participar também.

Economistas acusaram os sindicatos de chantagear as empresas estatais usando a Copa do Mundo para conseguir aumentos muito acima da inflação, o que poderia atingir a economia que se recupera da primeira recessão em 17 anos.

A Eskom disse que qualquer parada no trabalho é ilegal, já que energia é classificada pelo Estado como um serviço essencial e, se a greve for confirmada, vai implementar medidas de contingência para minimizar o impacto.

Os trabalhadores da Eskom, representados pela NUM, querem um aumento de 15 por cento e auxílio-moradia. A última oferta da Eskom prevê aumento de 8 por cento, alta de 5,6 por cento em auxílios-chave, e um pagamento único de 12 mil rands por funcionário, oferta rejeitada pelo sindicato.

"Esta oferta é o máximo que podemos ceder", disse Bhabhalazi Bulunga, diretor de recursos humanos da Eskom. "Nossos funcionários sabem das dificuldades financeiras que a empresa está passando e a necessidade que temos de mais financiamento para o nosso programa de construção."