Seleções locais pediram demais de seus craques, dizem africanos

sexta-feira, 25 de junho de 2010 18:19 BRT
 

Por Helen Popper

JOHANESBURGO (Reuters) - Os grandes jogadores africanos enfrentaram muita pressão na Copa do Mundo, sufocados pelas esperanças de um continente e pela crença ingênua de que sozinhos poderiam decidir o resultado dos jogos, disseram personalidades do futebol africano.

Das seis seleções africanas competindo no primeiro Mundial sediado no continente, só Gana foi para as oitavas de final. A Costa do Marfim derrotou a Coreia do Norte por 3 x 0 nesta sexta-feira, o que não bastou para se classificar.

O desempenho decepcionante dos times desencadeou a autocrítica de jogadores e diretores em toda a África.

O meio-campista francês Patrick Vieira, que deixou seu Senegal natal aos oito anos, disse que jogadores africanos como Didier Drogba, da Costa do Marfim, e Samuel Eto'o, dos Camarões, se esforçaram para brilhar como em seus clubes europeus.

"Quando eles jogam na Inter (de Milão) ou no Chelsea, há 15 astros para compartilhar a pressão", disse Vieira, campeão do mundo em 1998 que não foi convocado novamente em 2010.

"No futebol, um jogador não pode vencer a partida sozinho... e é uma grande responsabilidade para os outros jogadores não esperar que um jogador faça a diferença", disse ele em coletiva de imprensa nesta sexta-feira em Johanesburgo.

A maioria dos jogadores africanos mais conhecidos passa boa parte de suas carreiras em times europeus, o que torna difícil a transição para as seleções nas quais representam seus países.

"Talvez não estejamos jogando os mesmos 100 por cento que jogamos em nossos clubes, porque estamos ganhando o pão de cada dia lá", disse Kalusha Bwalya, ex-Jogador do Ano da África e presidente da associação de futebol da Zâmbia.

"O jogador africano tem que ser capaz de vir para casa e dar conta do recado, e acho que isso é um despertar para nós", disse ele, acrescentando que uma série de técnicos locais também precisam ser questionados.

Enquanto muitos jogadores fazem as malas na esperança de construir suas carreiras na Europa, a maioria dos técnicos é trazida do exterior. Das seis seleções presentes no Mundial, cinco tinham treinadores estrangeiros.