26 de Junho de 2010 / às 20:29 / 7 anos atrás

Não se intrometam no futebol, diz Fifa a autoridades francesas

Por Andrew Cawthorne

JOHANESBURGO (Reuters) - A Fifa alertou os políticos franceses, neste sábado, para tomar cuidado de não interferir na gestão do futebol nacional em meio a reuniões com o alto escalão do governo para tratar da saída traumática do país da Copa do Mundo.

“Conversei com o escritório da ministra dos Esportes e disse a eles para terem cuidado”, revelou o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke.

“Há uma autonomia do movimento esportivo e não pode haver nenhuma interferência política no que aconteceu.”

A campanha na África do Sul dos finalistas do Mundial de 2006 é difícil de ser pior. Os jogadores se revoltaram com a exclusão do atacante Nicolas Anelka da seleção por ter insultado o técnico, e a França terminou em último lugar em seu grupo depois de um empate e duas derrotas.

Tamanha é a angústia nacional que o presidente Nicolas Sarkozy pediu uma mudança no futebol e se encontrou com o capitão Thierry Henry.

A ministra dos Esportes, Roselyne Bachelot, criticou “os líderes imaturos da gangue” que estava em campo e disse que o pedido de demissão do presidente da Federação Francesa de Futebol, Jean-Pierre Escalettes, é inevitável.

“Definitivamente, nós vamos olhar o que a França está fazendo”, disse o francês Valcke, durante coletiva de imprensa no estádio Soccer City, em Johanesburgo.

“Resumindo, isso significa que ninguém pode pedir que alguém peça demissão. A pessoa é eleita. Se ele achar que falhou de alguma maneira, então, ele pode se demitir. E, então, as eleições terão de ser organizadas.”

SEM INTERFERÊNCIA

Assim como as intervenções da Fifa em países como Quênia e Iraque, não haveria nenhum precedente especial para a França quando se trata disso, declarou Valcke.

“Não é porque se trata de um país europeu que se deve ter uma abordagem diferente”, disse ele. “Eles podem se reunir, discutir, podem encontrar maneiras que garantam que isso não se repita, eles podem solicitar desculpas das diferentes pessoas envolvidas. Mas se houver interferência, a Fifa vai reagir.”

Valcke disse à Reuters que a reunião de Sarkozy e Henry e outros encontros no alto escalão sobre o fiasco francês eram reações compreensíveis por causa do trauma nacional.

“Esta é a maneira francesa de lidar com a situação em algum lugar, se posso dizer”, comentou ele. “Talvez o mundo encare como uma piada de mau gosto. Na França, não foi uma piada de mau gosto, foi uma história triste e muitas pessoas na França têm o sentimento de que foram enganados por estes jogadores.”

As autoridades devem, no entanto, saber definir o limite, acrescentou.

“Nossos políticos são espertos suficiente. A França é uma das nações da diplomacia, onde, eu tenho certeza, eles entenderão e saberão até onde podem ir e o que devem evitar.”

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