TESTEMUNHO-O dia que em que uma secretária calou o Maracanã

domingo, 27 de junho de 2010 18:16 BRT
 

Por Brian Homewood

JOHANESBURGO (Reuters) - É preciso acontecer muita coisa para silenciar 132 mil felizes torcedores brasileiros, mas a secretária Rosimery de Mello e um goleiro que tinha o apelido de Condor foram capazes desta façanha em um dia extraordinário em 1989.

O Brasil, que precisava de um empate para se classificar para a Copa do Mundo de 1990, estava na frente do Chile por 1 x 0 com 25 minutos para terminar a partida. A torcida já celebrava a vitória contra um time que tinha sido apontado como possível vilão da classificação.

Eu estava no estádio, e por mais que eu soubesse que o futebol na América do Sul podia ser selvagem, não tinha ideia do que estava para acontecer.

Da arquibancada, alguém lançou um rojão. Eu pude ver claramente quando o rojão começou a cair no sentido do gramado e, claramente, ia chegar ao campo.

Eu vi, confuso, que ele caiu próximo à área chilena e que o goleiro Roberto Rojas se jogou no chão, com as mãos no rosto, como se tivesse sido atingido. Toda a delegação chilena correu para o campo e cercou Rojas, empurrando os brasileiros para longe.

Após alguns minutos de teatro, Rojas foi tirado do campo, coberto de sangue. Os chilenos, então, abandonaram o campo. O ambiente no estádio ficou tenso.

Ainda que algumas pessoas tenham comemorado a saída do goleiro, as pessoas começaram a se perguntar se o Brasil seria responsabilizado pela violência da torcida e perderia pontos.

"Estamos fora da Copa", disse alguém, perplexo. Se isso tivesse acontecido, o Brasil mancharia o seu histórico de ser o único país a participar de todas as edições da Copa do Mundo - marca que continua até hoje.   Continuação...