2 de Julho de 2010 / às 17:45 / 7 anos atrás

Dunga exime Felipe Melo de culpa e admite nervosismo

<p>Dunga durante jogo contra a Holanda no qual o Brasil foi eliminado por 2x1. O t&eacute;cnico eximiu Felipe Melo de culpa e admitiu que o gol da virada deixou a equipe desestabilizada. 02/07/2010.Paulo Whitaker</p>

PORT ELIZABETH (Reuters) - O técnico Dunga eximiu o volante Felipe Melo de culpa pela eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo da África do Sul nesta sexta-feira, após a derrota por 2 x 1 para a Holanda. Ele admitiu, porém, que o gol da virada deixou a equipe desestabilizada.

Felipe Melo viveu dois momentos distintos dentro da partida. Primeiro deu o passe para Robinho abrir o placar aos 10 minutos de jogo. Depois acabou fazendo o gol contra que deu o empate à Holanda numa falha da defesa aos oito do segundo tempo, e foi expulso após dar um pisão em Arjen Robben minutos depois da virada holandesa.

"É difícil eu falar alguma coisa do Felipe, porque quando a gente ganhou, ganhou todo mundo", disse Dunga em entrevista coletiva após a partida, em que sinalizou que deixará o comando da equipe após o Mundial.

Apesar de buscar eximir seu volante de culpa pela derrota, Dunga reconheceu que a expulsão do jogador da Juventus atrapalhou a seleção.

"Jogar com um a menos numa Copa do Mundo com jogadores de qualidade da outra parte é sempre complicado", disse. "A gente não conseguiu manter a mesma concentração, a mesma forma de jogar do primeiro tempo", lamentou.

Após sofrer o gol de empate, os jogadores da seleção sentiram o golpe e o aparente desequilíbrio emocional se agravou após a virada holandesa.

"Ninguém prepara um time para perder", disse. "É lógico que esse nervosismo veio pelo fato de o adversário ter virado e pelo comprometimento que esses jogadores tiveram com a seleção brasileira", disse Dunga.

O treinador também fez críticas ao árbitro da partida, o japonês Yuichi Nishimura. Para ele, o juiz foi pressionado pelos holandeses em grande parte da partida e marcou faltas que, na visão de Dunga, não aconteceram. "Não é uma desculpa", ressalvou.

"DIGNIDADE"

Em tom de despedida, Dunga fez um breve resumo de seus quase quatro anos à frente da seleção e exaltou o comprometimento dos 23 jogadores que decidiu levar para a África do Sul.

"Conseguimos resultados nesses quatro anos, e talvez o maior resultado foi o resgate da vontade de jogar pela seleção brasileira", avaliou. "Se vocês vissem o semblante dos jogadores agora no vestiário, entenderiam."

Com Dunga no comando, o Brasil conquistou os títulos da Copa América, em 2007, e da Copa das Confederações, em 2009, além de ter terminado a eliminatória sul-americana em primeiro lugar após garantir vaga no Mundial por antecipação com vitória fora de casa sobre a arquirrival Argentina.

"Me sinto muito orgulhoso de ter estado à frente desse grupo de jogadores que mostraram dignidade com a seleção brasileira", disse.

Com o resultado, a seleção de Dunga se despede do Mundial com uma campanha pior do que a realizada há quatro anos na Alemanha.

Embora o Brasil tenha sido eliminado nas quartas de final em ambas ocasiões, o time comandado por Dunga não teve 100 por cento de aproveitamento na primeira fase, ao contrário da equipe de Carlos Alberto Parreira, que venceu todas os três jogos na fase de grupos em 2006.

Dunga assumiu o comando da seleção após o fracasso na Alemanha com a promessa de renovar a equipe e com um discurso de antagonismo a 2006, quando a seleção foi criticada por ter feito uma preparação cercada de holofotes e por ter usado jogadores que teriam se apresentado fora de forma.

Reportagem de Pedro Fonseca

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