Sem força no banco, Brasil não consegue reação e fica pelo caminho

sexta-feira, 2 de julho de 2010 18:07 BRT
 

Por Pedro Fonseca

PORT ELIZABETH (Reuters) - Mesmo atrás no placar, o técnico Dunga abriu mão de fazer uma terceira substituição para tentar arrancar um empate contra a Holanda, um sinal de que a falta de opções no banco de reservas teve peso fundamental na eliminação brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul.

Desde a convocação dos 23 nomes para o Mundial o treinador era cobrado por ter deixado de fora nomes como Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Paulo Henrique Ganso, jogadores ofensivos que poderiam ser importantes quando o Brasil estivesse em dificuldade numa partida -- como aconteceu na derrota por 2 x 1 desta sexta-feira.

Em vez disso, o treinador privilegiou uma equipe recheada de volantes, nenhum deles escolhido por Dunga para entrar em campo quando a seleção estava atrás no placar, com um homem a menos, e vendo a equipe adversário dominar as ações.

Dunga, que sempre disse ter "total confiança" nos 23 convocados, apostou apenas em Nilmar, o colocando no lugar de Luís Fabiano. A outra substituição aconteceu por necessidade, já que Michel Bastos, que deu lugar a Gilberto, já tinha um cartão amarelo e continuava cometendo faltas em Arjen Robben.

Sem poder contar com Elano, lesionado, e Ramires, suspenso, o treinador não quis apostar em Kléberson, Josué, Julio Baptista ou Grafite para tentar melhorar a atuação de sua equipe, que não se encontrou em campo no segundo tempo e ressentiu-se de um jogador que pudesse recolocar a casa em ordem depois que o Brasil passou a jogar em desvantagem.

"Jogar com um a menos numa Copa do Mundo com jogadores de qualidade da outra parte é sempre complicado", afirmou o treinador brasileiro, referindo-se à expulsão de Felipe Melo na etapa final. "A gente não conseguiu manter a mesma concentração, a mesma forma de jogar do primeiro tempo."

Nas quatro partidas anteriores no Mundial o Brasil encontrou dificuldades para superar defesas fechadas mas foi eficiente quando teve espaço para os contra-ataques. Apesar de ter perdido Elano, com uma lesão no tornozelo direito logo no segundo jogo, o time manteve-se consistente com a entrada de Daniel Alves.

A melhor atuação foi na vitória por 3 x 0 sobre o Chile nas oitavas de final, quando a entrada de Ramires no lugar do então lesionado Felipe Melo deu mais velocidade ao meio-campo do Brasil. No entanto, sem poder contar com dois jogadores fundamentais para o meio-campo, o treinador não viu a quem recorrer quando Wesley Sneijder marcou o gol da virada do Holanda.

"Com um a menos fica difícil. Tentei colocar um jogador de mais velocidade (Nilmar) e aproveitar a velocidade de Robinho e Kaká. Coloquei o Daniel (Alves) para jogar atrás com o Gilberto Silva", explicou Dunga, que tentou acertar a equipe sem trocar as peças.

(Edição de Eduardo Simões)

 
<p>Goleiro Heurelho Gomes consola Robinho ap&oacute;s elimina&ccedil;&atilde;o do Brasil na Copa do Mundo. REUTERS/Paulo Whitaker</p>