July 2, 2010 / 8:46 PM / 7 years ago

Para veteranos de Copa, faltou banco e controle emocional

5 Min, DE LEITURA

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Tranquilidade e opções no banco fizeram falta à seleção brasileira na derrota por 2 x 1 para a Holanda, que eliminou o Brasil da Copa do Mundo, avaliaram dois ex-campeões mundiais e um treinador que já dirigiu o Brasil num Mundial.

Para Carlos Alberto Torres, capitão do tricampeonato mundial em 1970 no México, a seleção não inspirava confiança desde o início, e técnico Dunga errou na formação do grupo que levou ao Mundial.

"Ele (Dunga) começou com essa história de grupo fechado. É uma tremenda besteira. Seleção é para os melhores. Com essa filosofia, deixou de fora os meninos do Santos, que estavam voando, e jogadores experientes, que numa Copa sempre fazem falta", disse ele à Reuters pelo telefone.

Na lista de jogadores que levou para a África do Sul, Dunga ignorou os clamores populares e deixou fora do Mundial o atacante Neymar e o meia Paulo Henrique Ganso, do Santos. Ele também decidiu não levar Ronaldinho Gaúcho e Adriano, que disputaram o Mundial na Alemanha há quatro anos.

"Hoje, no segundo tempo, quando o Brasil precisava do banco, não tinha opção. No futebol, mais difícil que montar o time titular é fechar o banco e suas opções. Com Felipe (Melo), Josué fica muito difícil", acrescentou.

A mesma opinião tem o ex-jogador Gérson, que também atuou na conquista do tri no México. Para ele, Dunga foi vítima da suas opções erradas na montagem do grupo e do time titular. "O Dunga deixou de fora jogadores com talento e levou jogadores de pouca técnica como o Felipe Melo, que fez o que fez", declarou Gérson.

Após se destacar no primeiro tempo da derrota por 2 x 1 para a Holanda nesta sexta-feira, dando inclusive passe para o gol de Robinho, Felipe Melo fez o gol contra que deu o empate à Holanda e foi expulso após a virada holandesa por um pisão num adversário.

"Ele (Dunga) era inexperiente para a importância do cargo", acrescentou o "canhotinha de ouro", que atualmente é comentarista.

Para Sebastião Lazaroni, técnico do Brasil na Copa de 1990, quando a seleção caiu nas oitavas de final diante da Argentina, também faltou sorte para Dunga, seu jogador no Mundial da Itália e apontado como principal responsável por aquela derrota.

"O Brasil sentiu falta do Elano e do Ramires. Eram jogadores importantes para o esquema, que o Dunga não pôde contar num jogo decisivo. Torneio de tiro curto é complicado", avaliou.

Elano, titular do Brasil nas duas primeiras partidas no Mundial quando marcou dois gols, desfalcou o Brasil nos três últimos jogos da Copa por conta de uma edema num osso do tornozelo direito e Ramires cumpriu suspensão contra a Holanda por acúmulo de cartões amarelos.

Fator Emocional

Os especialistas ouvidos pela Reuters foram unânimes ao apontar o desequilíbrio emocional da seleção no segundo tempo da partida contra a Holanda, após um primeiro tempo amplamente dominado pelos brasileiros.

"Faltou equilíbrio ao Brasil, dentro e fora de campo. O time começou bem, fez um gol e virou vencendo. No segundo tempo apagou, aceitou a pressão e levou os gols. Aí, o técnico mostrava nervosismo dando socos no ar e no banco de reservas", disse Carlos Alberto Torres.

Para Lazaroni, os jogadores do Brasil entraram em desespero na segunda etapa. "Fizemos um bom primeiro tempo e depois levamos dois gols fortuitos de bola parada", afirmou.

"O primeiro tempo foi de domínio nosso, mas perdemos a posse de bola e o controle no segundo tempo", acrescentou.

"Estavam todos nervosos, até os mais experientes", avaliou Gérson.

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