ANÁLISE-Ex-seleção da eficiência fracassa na hora da verdade

sexta-feira, 2 de julho de 2010 19:46 BRT
 

Por Pedro Fonseca

PORT ELIZABETH (Reuters) - Dunga chegou à seleção brasileira após a derrota nas quartas de final da Copa da Alemanha com a promessa de reformular o time, dentro e fora de campo, para recolocar o Brasil como melhor do mundo. Com a justificativa de que vencer é melhor que jogar bem, o treinador transformou a equipe numa seleção pragmática, apenas para ser eliminada na África do Sul da mesma forma que no Mundial anterior.

Os títulos da Copa América 2007 e Copa das Confederações 2009 e o primeiro lugar nas eliminatórias sul-americanas devolveram o Brasil ao topo do ranking mundial antes da Copa, mas o futebol de resultado e eficiência, sem espaço para talentos como Ronaldinho Gaúcho e Neymar, atraiu críticas por descaracterizar a forma de jogar da seleção.

Até a derrota desta sexta-feira para a Holanda, por 2 x 1, o treinador sempre justificou-se com as vitórias, mas a nova eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo significa que de nada adiantou o esforço do treinador em fazer da seleção brasileira um time sem brilho, isolado do público e da imprensa, que sempre teve dificuldades para superar adversários fechados na defesa -- fosse Bolívia, Venezuela ou Coreia do Norte.

A eliminação precoce evidenciou justamente a principal crítica que se fez a Dunga assim que o treinador anunciou seus 23 escolhidos para o Mundial: a falta de opções no banco de reservas.

No lugar de jogadores ofensivos que poderiam resgatar a seleção numa situação desfavorável, como aconteceu no segundo tempo contra a Holanda, o treinador recheou o time de volantes -- nenhum dos quais escolhido por ele para entrar no decorrer da partida contra os holandeses depois que a seleção estava perdendo.

"Ele (Dunga) começou com essa história de grupo fechado. É uma tremenda besteira. Seleção é para os melhores. Com essa filosofia, deixou de fora os meninos do Santos, que estavam voando, e jogadores experientes, que numa Copa sempre fazem falta", disse à Reuters o capitão do tri de 1970, Carlos Alberto Torres.

FALTA DE OPÇÕES

As duas melhores opções que Dunga teria estavam indisponíveis para o último jogo da seleção no Mundial. Daniel Alves, o 12o titular brasileiro e que já tinha salvado o treinador em outras ocasiões, como na semifinal da Copa das Confederações quando marcou o gol da vitória sobre a África do Sul, foi escalado como titular no lugar de Elano, lesionado, enquanto Ramires, que poderia aumentar a velocidade do time, estava suspenso.   Continuação...

 
<p>Daniel Alves reage ap&oacute;s elimina&ccedil;&atilde;o do Brasil pela Holanda pelas quartas de final da Copa do Mundo. REUTERS/Mike Hutchings</p>