4 de Julho de 2010 / às 18:50 / 7 anos atrás

Dunga é demitido após acenar permanecer na seleção

<p>T&eacute;cnico Dunga reage durante partida contra a Holanda, que eliminou o Brasil da Copa: toda a comiss&atilde;o t&eacute;cnica da sele&ccedil;&atilde;o foi demitida pela CBF.Paulo Whitaker</p>

Por Pedro Fonseca

JOHANESBURGO (Reuters) - Horas após Dunga ter deixado aberta a possibilidade de permanência no comando da seleção brasileira apesar do fracasso na África do Sul, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi rápida e anunciou, neste domingo, que o técnico e sua comissão estão demitidos.

"(A) comissão técnica da seleção brasileira está destituída. Nova comissão técnica será anunciada até o final do mês", informou a CBF em comunicado em seu site.

Dunga, que depois da derrota do Brasil para a Holanda nas quartas de final do Mundial, na sexta-feira, havia indicado que seu ciclo na seleção estava encerrado após quatro anos, adotou discurso diferente ao desembarcar em Porto Alegre (RS) neste domingo.

De acordo com o treinador, seu futuro na seleção seria decidido "daqui a uma semana ou duas" após conversa com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Mas a demissão do treinador, do auxiliar Jorginho e de outros integrantes do corpo técnico foi anunciada em seguida no site da confederação.

"Encerrado o ciclo de trabalho que teve início em agosto de 2006, e que culminou com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul, a CBF comunica que está dispensada a comissão técnica da seleção brasileira", acrescentou o comunicado.

Mesmo sem ter qualquer experiência como treinador, Dunga foi nomeado como técnico da seleção após a Copa do Mundo de 2006, com o objetivo de levantar o time depois da derrota para a França nas quartas de final do Mundial na Alemanha.

Dunga renovou o time e conquistou a Copa América 2007 e a Copa das Confederações 2009, mas falhou em seu principal objetivo. Na Copa do Mundo da África do Sul, acabou eliminado exatamente na mesma fase que no Mundial anterior.

SEM ARREPENDIMENTO

Os jogadores e a delegação brasileira chegaram ao Brasil nesta madrugada após a derrota por 2 x 1 para a Holanda que desclassificou o time. No Rio de Janeiro, onde parte do grupo desembarcou, um grupo de torcedores aguardava no aeroporto a chegada da equipe e houve confusão na saída do volante Felipe Melo, que foi hostilizado pela expulsão na partida decisiva.

Dunga, que seguiu para Porto Alegre, minimizou a eliminação e disse que teve o apoio da população apesar da derrota. "A manifestação da população demonstrou que o nosso trabalho foi bem visto. Tínhamos esse projeto de resgatar esse amor em relação à seleção. O povo viu um time que se parece com ele: trabalhador", afirmou a jornalistas.

O auxiliar Jorginho e o supervisor de seleções da CBF, Américo Faria, também demitidos, haviam demonstrado esperança de permanecer na seleção. Ambos disseram que aguardavam a volta do presidente da CBF ao Brasil, após o encerramento do Mundial, para discutir o futuro.

Em quase quatro anos à frente da seleção brasileira, Dunga transformou a equipe tanto dentro como fora de campo. O estilo de jogo adotado passou a ser um reflexo do Dunga jogador, priorizando a força na marcação em detrimento do futebol arte. Dessa forma o time reconquistou a liderança do ranking mundial com importantes vitórias, mas atraiu críticas tanto dentro como fora do país.

Contra uma seleção holandesa que buscou o ataque, com quatro jogadores ofensivos em campo durante toda a partida, o Brasil sucumbiu no segundo tempo e acabou eliminado do Mundial.

Do lado de fora das quatro linhas, Dunga impôs um regime de isolamento aos jogadores, especialmente durante o período da Copa do Mundo, que manteve a seleção afastada da torcida e da mídia. Tal comportamento, somado a um rancor que o técnico tinha da imprensa devido às críticas recebidas desde sua época de jogador, transformou o relacionamento de Dunga com os jornalistas num "confronto", como ele mesmo descrevia. Desentendimentos durante entrevistas eram frequentes.

Desde a eliminação do Brasil, surgiram especulações sobre um possível retorno de Luiz Felipe Scolari ao cargo de treinador da seleção. Em recente entrevista, Felipão, que acertou com o Palmeiras, declarou que desejava encerrar sua carreira como treinador à frente de uma seleção na Copa de 2014, que será realizada no Brasil.

Com reportagem de Hugo Bachega, em São Paulo, e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro

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