July 4, 2010 / 10:45 PM / in 7 years

PERFIL-Com início promissor, Dunga sai sem vencer a Copa

5 Min, DE LEITURA

<p>Dunga durante sess&atilde;o de treino da sele&ccedil;&atilde;o brasileira em Port Elizabeth. Assim como a sele&ccedil;&atilde;o de Carlos Alberto Parreira em 2006, Dunga foi eliminado da Copa do Mundo da &Aacute;frica do Sul nas quartas de final. 01/06/2010Paulo Whitaker</p>

Por Pedro Fonseca

JOHANESBURGO (Reuters) - Quando Dunga foi anunciado como técnico da seleção brasileira, o objetivo era claro: reerguer a equipe depois da derrota para a França nas quartas de final da Copa do Mundo da Alemanha. Quatro anos depois, o treinador foi demitido neste domingo sem conseguir realizar a missão. Assim como a seleção de Carlos Alberto Parreira em 2006, Dunga foi eliminado da Copa do Mundo da África do Sul nas quartas de final.

Horas depois de o treinador e sua comissão técnica desembarcarem no Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a demissão. Uma reação à derrota por 2 x 1 para a Holanda, na sexta-feira, que deixou o Brasil mais uma vez de fora dos quatro melhores de um Mundial.

Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, é gaúcho de Ijuí e tem 46 anos. Nunca tinha sido técnico antes de assumir a seleção, porém sua experiência no futebol é vasta. O capitão do tetra em 1994 foi a aposta da CBF para comandar o Brasil com a mesma firmeza mostrada em campo nos seus tempos de jogador.

Seus três primeiros anos foram repletos de sucesso, com as conquistas da Copa América 2007, Copa das Confederações 2009 e das eliminatórias para a Copa do Mundo, que levaram o Brasil de volta ao topo do ranking no mundial. No entanto, ao impor à seleção um futebol defensivo contrário às tradições da equipe, o treinador acumulou críticas de dentro e de fora do país.

Contra uma seleção holandesa que buscou o ataque, com quatro jogadores ofensivos em campo durante toda a partida, o Brasil sucumbiu no segundo tempo e acabou eliminado do Mundial.

Dunga transformou a equipe não só dentro de campo, mas também fora das quatro linhas. O treinador impôs um regime de isolamento aos jogadores, especialmente durante o período da Copa do Mundo, que manteve a seleção afastada da torcida e da mídia. Tal comportamento, somado a um rancor que o técnico tinha da imprensa devido às críticas recebidas desde sua época de jogador, transformou o relacionamento de Dunga com a imprensa num "confronto", como ele mesmo descrevia.

Desentendimentos durante entrevistas foram frequentes durante seus quase quatro anos de trabalho. "Quero até pedir desculpa ao torcedor porque ele não terá tanta informação da seleção. Vamos querer privacidade para realizar um bom trabalho", disse Dunga antes da Copa. "Queremos privacidade para ter um trabalho mais tranquilo, sem muito oba-oba e sem muita confusão. Às vezes nem comissão técnica nem os jogadores criam isso. A cobrança será grande e a seleção só tem uma alternativa: vencer", afirmou Dunga.

"Melhor Treinador"

Como jogador, foram 96 partidas e sete gols marcados com a camisa do Brasil. Disputou sua primeira Copa em 1990, quando a derrota para a Argentina nas oitavas de final ficou marcada como "era Dunga". Foi apontado como o símbolo do futebol sem criatividade da seleção.

Quatro anos depois, Dunga se reergueu. Jogando sempre com muita disposição na marcação e organizando a equipe dentro de campo, foi um dos destaques do Brasil campeão nos Estados Unidos. Em 1998, foi de novo o capitão brasileiro na campanha do vice-campeonato, encerrando um ciclo na seleção que incluiu o título mundial júnior de 1983 e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.

Após encerrar a carreira em 1999 no Internacional, mesmo clube onde começou em 1981, Dunga estava relativamente afastado do esporte, até ser surpreendentemente chamado para comandar a seleção. Passou também como jogador por Corinthians, Santos, Vasco, pelos times italianos Pisa, Fiorentina e Pescara, pelo alemão Stuttgart e pelo japonês Jubilo Iwata.

Dunga deve prosseguir a carreira de treinador, e tem o aval de seus ex-comandados para tal. "Quero agradecer ao treinador. Em toda a minha carreira, foi o melhor que tive, quem teve mais confiança em mim. Quero agradecer ao Dunga e a todos pelo carinho", afirmou o atacante Luís Fabiano após a eliminação brasileira no Mundial.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below