PERFIL-Com início promissor, Dunga sai sem vencer a Copa

domingo, 4 de julho de 2010 19:42 BRT
 

Por Pedro Fonseca

JOHANESBURGO (Reuters) - Quando Dunga foi anunciado como técnico da seleção brasileira, o objetivo era claro: reerguer a equipe depois da derrota para a França nas quartas de final da Copa do Mundo da Alemanha. Quatro anos depois, o treinador foi demitido neste domingo sem conseguir realizar a missão. Assim como a seleção de Carlos Alberto Parreira em 2006, Dunga foi eliminado da Copa do Mundo da África do Sul nas quartas de final.

Horas depois de o treinador e sua comissão técnica desembarcarem no Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a demissão. Uma reação à derrota por 2 x 1 para a Holanda, na sexta-feira, que deixou o Brasil mais uma vez de fora dos quatro melhores de um Mundial.

Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, é gaúcho de Ijuí e tem 46 anos. Nunca tinha sido técnico antes de assumir a seleção, porém sua experiência no futebol é vasta. O capitão do tetra em 1994 foi a aposta da CBF para comandar o Brasil com a mesma firmeza mostrada em campo nos seus tempos de jogador.

Seus três primeiros anos foram repletos de sucesso, com as conquistas da Copa América 2007, Copa das Confederações 2009 e das eliminatórias para a Copa do Mundo, que levaram o Brasil de volta ao topo do ranking no mundial. No entanto, ao impor à seleção um futebol defensivo contrário às tradições da equipe, o treinador acumulou críticas de dentro e de fora do país.

Contra uma seleção holandesa que buscou o ataque, com quatro jogadores ofensivos em campo durante toda a partida, o Brasil sucumbiu no segundo tempo e acabou eliminado do Mundial.

Dunga transformou a equipe não só dentro de campo, mas também fora das quatro linhas. O treinador impôs um regime de isolamento aos jogadores, especialmente durante o período da Copa do Mundo, que manteve a seleção afastada da torcida e da mídia. Tal comportamento, somado a um rancor que o técnico tinha da imprensa devido às críticas recebidas desde sua época de jogador, transformou o relacionamento de Dunga com a imprensa num "confronto", como ele mesmo descrevia.

Desentendimentos durante entrevistas foram frequentes durante seus quase quatro anos de trabalho. "Quero até pedir desculpa ao torcedor porque ele não terá tanta informação da seleção. Vamos querer privacidade para realizar um bom trabalho", disse Dunga antes da Copa. "Queremos privacidade para ter um trabalho mais tranquilo, sem muito oba-oba e sem muita confusão. Às vezes nem comissão técnica nem os jogadores criam isso. A cobrança será grande e a seleção só tem uma alternativa: vencer", afirmou Dunga.

"MELHOR TREINADOR"   Continuação...

 
<p>Dunga durante sess&atilde;o de treino da sele&ccedil;&atilde;o brasileira em Port Elizabeth. Assim como a sele&ccedil;&atilde;o de Carlos Alberto Parreira em 2006, Dunga foi eliminado da Copa do Mundo da &Aacute;frica do Sul nas quartas de final. 01/06/2010 REUTERS/Paulo Whitaker</p>