Copa do Mundo atrai investimentos para a África

quarta-feira, 7 de julho de 2010 13:32 BRT
 

Por Ed Cropley, Correspondente de Investimento na África

JOHANESBURGO (Reuters) - A repercussão da primeira Copa do Mundo em solo africano está se fazendo sentir em empresas de investimento de todo o mundo, atraindo novos negócios e capital a um continente que na última década evoluiu da incapacidade a um mercado crescente.

"Com certeza o interesse europeu tem crescido. Não resta a menor dúvida", disse John Mackie, gerente de negócios africanos da Stanlib, sediada em Johanesburgo, que administra 300 milhões de dólares nos mercados sub-saarianos.

Seus comentários, apoiados por vários outros gestores de fundos, são os primeiros sinais de que a África do Sul capitaliza alguns dos benefícios "intangíveis" necessários para recuperar os 40 bilhões de rands (5,2 bilhões de dólares) que gastou em novos estádios e na modernização de estradas e ferrovias para o Mundial.

Analistas estimam que os torcedores estrangeiros em visita ao país -- os números definitivos ainda não estão disponíveis -- só injetarão 13 bilhões de rands na economia, enquanto o governo diz que o torneio deve fortalecer em 0,4 ponto percentual o crescimento econômico em 2010.

Entretanto, no longo prazo acredita-se que a maior economia africana irá mais do que recuperar seus gastos graças à nova imagem de uma nação conhecida sobretudo pelos crimes violentos, atraindo assim mais turistas e investimentos.

A atração de investidores já parece estar funcionando, já que empresários e gestores de fundos de todo o mundo têm acompanhado a boa organização do evento esportivo em estádios espetaculares ocupados por torcedores entusiasmados e bem comportados.

É uma grande mudança em relação à imagem convencional da África no exterior, a de um continente desafortunado e sem solução acostumado a estampar manchetes por suas guerras, pestilência, fome e morte.

"As pessoas na Dinamarca e na França e na Grã-Bretanha estão dizendo 'este estádio parece muito melhor do que qualquer um que temos aqui, funciona e todo mundo ainda está vivo'", disse Mackie.

"Não há dúvida de que a percepção está mudando".