12 de Julho de 2010 / às 22:45 / 7 anos atrás

Fora de campo, quem ganhou e quem perdeu no Mundial

JOHANESBURGO (Reuters) - Fora dos gramados também houve quem saísse ganhando ou perdendo na Copa do Mundo da África do Sul.

GANHARAM

FIFA - A entidade que domina o futebol claramente saiu ganhando, em grande parte graças à venda de direitos de TV, mas sem abrir mão de outras fontes. O faturamento da Fifa em 2009 pela primeira vez chegou a 1 bilhão de dólares. Entre o começo de 2007 e o final de 2009, os direitos de marketing e TV relacionados à Copa chegaram a quase 2,6 bilhões de dólares, segundo a Fifa. Os resultados financeiros do torneio propriamente dito ainda não foram estimados.

ÁFRICA DO SUL - O país calou a boca dos catastrofistas que alertavam para um sem-número de fatores - criminalidade, distúrbios, cobras venenosas ou estádios incompletos. O torneio transcorreu num clima tranquilo e cordial, com poucos incidentes. Torcedores do mundo todo se mostraram impressionados com o que viram.

JACOB ZUMA - O presidente da África do Sul foi um anfitrião perfeito, capaz de apresentar o melhor do seu país ao mundo. Ao menos durante o torneio, conseguiu deixar de lado os escândalos envolvendo sua vida pessoal e as disputas dentro do seu partido, o CNA.

ELETRICITÁRIOS - Depois de ameaçarem uma greve em plena Copa, os funcionários da Eskom, principal empresa elétrica do país, conseguiram um aumento salarial de nove por cento, praticamente o dobro da inflação no ano anterior.

FABRICANTES DE VUVUZELAS - Jogadores e espectadores de TV do mundo todo odeiam essas ruidosas cornetas de plástico, mas para os fabricantes a Copa foi uma maravilha. A África do Sul não se beneficia da barulheira, já que 90 por cento das vuvuzelas são chinesas. A fábrica de plásticos Ninghai Jiying, de Ningbo, chegou a produzir 250 mil por dia.

PERDERAM

ANFITRIÕES AMBICIOSOS - Milhares de sul-africanos que esperavam ganhar uma bolada alugando suas casas a preços inflacionados durante a Copa acabaram de mãos vazias, já que o número de turistas estrangeiros ficou muito aquém do previsto. Houve quem investisse as economias para reformar suas casas, à espera de hóspedes que nunca apareceram.

BANDIDOS - Embora tenha havido pequenos crimes, a violência urbana não provocou nenhum impacto sobre a Copa. A polícia disse que as punições mais duras causaram uma queda significativa na criminalidade, num dos países que mais sofrem com esse problema no mundo. Os sul-africanos se perguntam agora por que a polícia não é tão eficiente o tempo todo.

PAÍSES VIZINHOS - Alguns países vizinhos esperavam receber mais turistas na época da Copa, ou mesmo que alguma equipe se instalasse lá na fase de preparação. O Zimbábue até conseguiu levar o Brasil para um amistoso, mas não houve sinal de incremento do turismo na região.

AINDA INCERTO

ECONOMIA LOCAL - O governo diz que a Copa, que custou mais de 5 bilhões de dólares, foi um sucesso retumbante. Mas o impacto ainda levará anos para ser sentido, então é difícil avaliar se foi um dinheiro bem gasto.

O governo estima que o torneio agregará 0,4 ponto percentual ao crescimento econômico neste ano, que deve ficar em 2,7 por cento.

Alguns estádios novíssimos construídos em cidades remotas dificilmente comprovarão seu valor em longo prazo, mas outros investimentos em infraestrutura eram mesmo necessários. É difícil antever se a África do Sul conseguirá mesmo, como pretende, atrair milhões de turistas a mais nos próximos anos por causa da boa imagem deixada pela Copa.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below