Brasil precisa estar pronto para "pressão gigante", diz Parreira

quarta-feira, 18 de agosto de 2010 15:54 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil vai precisar de um forte trabalho psicológico nos próximos anos para conseguir superar uma enorme cobrança e então conquistar a Copa do Mundo de 2014 que será realizada no país, afirmou o ex-técnico da seleção Carlos Alberto Parreira.

Campeão mundial em 1994, depois de um jejum de 24 anos, Parreira sentiu na pele a pressão por um título e sabe o tamanho da carga que a seleção vai ter de enfrentar no primeiro Mundial realizado em casa desde 1950, quando acabou derrotada de forma inesperada na final contra o Uruguai.

"Viremos de duas derrotas nas Copas de 2006 e 2010, e pode ter certeza que a pressão vai ser muito grande sobre a seleção. Será uma responsabilidade enorme", disse à Reuters Parreira, que está cotado para assumir uma posição na comissão técnico do novo treinador do Brasil, Mano Menezes.

"Já perdemos uma Copa em casa e não podemos perder a segunda em casa. Não podemos permitir isso. Isso vai colocar um pressão gigante e teremos que, além da preparação técnica, ter uma preparação psicológica grande", acrescentou.

A preocupação de Parreira também já foi manifestada pelo próprio Mano Menezes, que afirmou logo após sua apresentação que pretende contratar um psicólogo para trabalhar a seu lado na seleção.

Parreira pontuou ainda outros agravantes que tornam a trajetória até 2014 mais difícil. Ele destacou que o Brasil passa por uma renovação radical após os fracassos no últimos dois Mundiais, e lembrou que o jejum de títulos mundiais já será de 12 anos quando o país receber o Mundial.

"Fomos os únicos dos campeões a perder um Mundial em casa. Depois de dois fracassos em Mundial a renovação é quase um imposição para o treinador. Sempre abre-se um novo ciclo quando você perde", disse Parreira, que está de férias no país após ter treinado a África do Sul no Mundial deste ano realizado no país africano.

RENOVAÇÃO   Continuação...

 
<p>Carlos Alberto Parreira durante entrevista em Johanesburgo. Foto de arquivo de abril de 2008. REUTERS/Masimba Sasa (SOUTH AFRICA)</p>