November 15, 2010 / 7:15 PM / in 7 years

ANÁLISE-Título de Vettel é vitória do jogo limpo na F1

4 Min, DE LEITURA

Por Alan Baldwin

ABU DHABI (Reuters) - Sebastian Vettel levou apenas 99 minutos para acabar com as discussões sobre jogo de equipe e manipulação de títulos, e sua vitória no Mundial da Fórmula-1 em 2010 será lembrada com um triunfo da competição limpa.

O alemão de 23 anos ganhou a última corrida da temporada, à qual quatro pilotos chegaram com chances de título - algo inédito. Sagrou-se assim o campeão mais jovem da história da categoria.

Largando 15 pontos atrás de Fernando Alonso, da Ferrari, Vettel pegou o seu Red Bull pelos chifres e conseguiu uma vitória de ponta a ponta, sem precisar de ordens dos bastidores. Com isso, deixou para trás meses de controvérsias.

"Fizemos do nosso jeito", disse Christian Horner, chefe da equipe, que recusou-se a favorecer um dos seus pilotos em detrimento do outro, e teria enfrentado uma verdadeira inquisição caso a Red Bull perdesse o título de pilotos, apesar de ter o melhor carro do ano.

"Escolhemos apoiar ambos", disse Horner a jornalistas, referindo-se a Vettel e ao australiano Mark Webber. "Isso poderia ter nos custado. Mas nos ativemos a isso, acreditamos no princípio de apoiar ambos igualmente, e acho que isso foi vingado hoje."

O eventual título de Alonso - que faria dele o mais jovem tricampeão da história - ficaria marcado por infinitas discussões sobre as manobras de julho em Hockenheim, quando a Ferrari ordenou que o brasileiro Felipe Massa deixasse seu companheiro espanhol ultrapassá-lo.

Uma vitória de Webber também poderia gerar suspeitas de que ele teria sido ajudado por Vettel para ficar à frente de Alonso.

Bernie Ecclestone, dirigente comercial da F1, havia manifestado a esperança de que eventuais trocas de posições pelo menos fossem feitas com sutileza.

Mas, no final, ganhou quem correu mais. A Ferrari se embananou na estratégia de Alonso, Webber teve de se contentar com largar em quinto lugar, e Vettel dedicou-se a ser mais rápido que os outros, deixando o resto para o destino - um segundo lugar daria o título a Alonso, independente de qualquer outro resultado.

"Afinal de contas, tudo se deveu àquilo que eles fizeram na pista", disse Horner, cuja equipe venceu também o Mundial de Construtores.

"Sebastian teve seus altos e baixos neste ano, teve um pouco de azar, mas nunca deixou de acreditar, sempre teve uma fé total na equipe e em si mesmo, e saiu por cima", afirmou.

Webber - que chegou a queixar-se de que se sentia o número 2 da equipe - acabou tendo uma temporada mais tranquila.

Defeitos e acidentes evitaram que Vettel encerrasse a disputa com algumas provas de antecedência - na Coreia, por exemplo, uma falha de motor quando ele liderava a prova lhe custou 25 pontos.

O campeonato teve seis líderes diferentes, e embora o resultado final não tenha sido o mais apertado da história - seria preciso um empate -, foi a temporada mais competitiva e disputada que já houve.

No ano que vem, com um recorde de 20 corridas e a Pirelli como fornecedora de pneus, a Red Bull terá muito trabalho para defender os títulos de piloto e de construtor. No domingo, porém, todos ainda estavam pensando no que foi 2010.

"Foi um grande campeonato, e tiro o chapéu para todos os nossos competidores", disse Horner.

"Fernando foi um competidor incrível, sua reação foi imensa. A Ferrari esteve por trás dele. Lewis (Hamilton, da McLaren) e Jenson (Button) são pilotos fantásticos. Acho que afinal o vencedor é a Fórmula 1 neste ano, e estou muito satisfeito de que um dos nossos rapazes tenha apanhado o grande troféu."

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