COI pede à BBC provas contra dirigentes do futebol

terça-feira, 30 de novembro de 2010 11:19 BRST
 

Por Karolos Grohmann

BERLIM (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) pediu nesta terça-feira à BBC que apresente às autoridades provas dos supostos subornos recebidos por dirigentes da Fifa e denunciados num programa da emissora britânica.

Um dos envolvidos no caso, o camaronês Issa Hayatou, também é membro do COI, e por isso a entidade pode levar as denúncias à sua Comissão de Ética. "O COI tem tolerância zero contra a corrupção", disse a entidade em nota após a exibição do programa Panorama, na BBC, na segunda-feira.

As suspeitas levantadas pela BBC recaem também sobre Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e sobre Nicolás Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

Os três dirigentes são acusados de terem recebido subornos para aceitarem um contrato da Fifa com a empresa de marketing ISL, que faliu em 2001.

Hayatou é membro do COI desde 2001, e participa da Comissão de Mulheres e Esporte da entidade. Ele também esteve na comissão que coordenou os preparativos para a Olimpíada de Pequim em 2008.

O COI é muito sensível a acusações de corrupção, pois teve sua reputação abalada devido a denúncias de compra de votos na escolha de Salt Lake City como sede da Olimpíada de Inverno de 2002.

Vários membros do COI foram expulsos por causa disso, e outros foram advertidos. Depois disso, a entidade proibiu que seus membros façam viagens a cidades candidatas a serem sedes olímpicas.

O programa da BBC com as denúncias foi exibido três dias antes de a Fifa escolher as sedes das Copas de 2018 e 2022. Dois dos 24 membros do comitê executivo da Fifa, responsável pela escolha, já foram suspensos devido a um escândalo anterior envolvendo uma suposta venda de votos - o que na verdade era uma armadilha de jornalistas do Sunday Times.

A Inglaterra é candidata a receber a Copa de 2018, numa disputa contra a Rússia e as candidaturas conjuntas de Espanha/Portugal e Holanda/Bélgica. Para 2022, os candidatos são Estados Unidos, Japão, Austrália, Coreia do Sul e Qatar.

(Reportagem de Karolos Grohmann)