Jogadores italianos convocam greve para dezembro

terça-feira, 30 de novembro de 2010 16:57 BRST
 

Por Mark Meadows

MILÃO (Reuters) - O sindicato que reúne os jogadores da Série A do Campeonato Italiano convocou nesta terça-feira uma greve para a rodada dos dias 11 e 12 de dezembro, causando ainda mais caos no futebol do país.

Os sindicalistas, que já haviam ameaçado uma greve em setembro, rejeitam a exigência da federação de que jogadores dispensados das equipes treinem em separado do resto do elenco, ou sejam obrigados a aceitar uma transferência mesmo enquanto seu contrato está em vigor.

Jogadores e dirigentes tinham até 30 de novembro para conseguir um acordo, o que não ocorreu.

"Lamentamos muito (convocar a greve), porque havia disposição para encontrar um acordo", disse Leonardo Grosso, vice-presidente do sindicato, a jornalistas. "A liga continuou pedindo para discutir a questão dos jogadores fora do elenco, o que para nós era um caso encerrado."

A Federação Italiana de Futebol esperava que o sindicato, antes de convocar a greve, aguardasse uma audiência do Comitê Olímpico Italiano na quarta-feira. E, como tantas vezes acontece na Série A, a história ainda pode mudar.

O futebol italiano tem sofrido nos últimos anos com um escândalo de manipulação de resultados, com a violência de torcidas, duas candidaturas frustradas a ser sede da Eurocopa, estádios sem manutenção e baixo número de espectadores. Isso gera um senso de apatia, só aliviado por esporádicos sucessos dentro de campo.

Os jogadores da Série A já fizeram greve no passado por causa de questões semelhantes. A greve nos dias 11 e 12 ameaça o cancelamento de partidas como Juventus x Lazio. A Inter de Milão, atual campeã, não participa dessa rodada porque estará disputando o Mundial de Clubes.

Esta é a primeira vez que a Série A é disputada como uma liga independente, depois do rompimento com a Federação Italiana. Os dirigentes estão negociando um novo contrato coletivo com a entidade que representa os jogadores, estabelecendo os direitos básicos dos atletas. O contrato original expirou meses atrás.

Maurizio Beretta, presidente da Série A, disse que ainda acredita num acordo, mas qualificou a reunião de terça-feira como "incrível, sem precedentes na história".

"O sindicato recusou-se a ouvir a intervenção do presidente da federação, que incluía a questão dos jogadores fora do elenco. Nesse momento, eles se levantaram da mesa e saíram", relatou ele a jornalistas.