Piloto venezuelano estreante leva bandeira de Chávez à F1

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 19:06 BRST
 

Por Diego Oré

CARACAS (Reuters) - Como admirador e amigo do presidente Hugo Chávez, o venezuelano Pastor Maldonado, recém-chegado ao grid da Fórmula 1, representará uma rara incursão do socialismo num esporte tão associado ao capital.

Maldonado, contratado pela Williams para 2011 depois de vencer a categoria de acesso GP2, costuma ser visto com frequência ao lado de Chávez, como nesta semana, quando ambos foram visitar vítimas de inundações.

O piloto de 25 anos disse à Reuters que não vê problemas em misturar esporte e política. "O esporte não deve ficar afastado da política, dever ser apoiado, como na Venezuela."

Maldonado chega à categoria levando um grande patrocínio da estatal petrolífera PDVSA e, em menor quantidade, da estatal de telecomunicações CANTV, reestatizada por Chávez em 2007.

"Estamos apoiando Pastor Maldonado e sua equipe via PDVSA, para que ele possa correr mundo afora e mostrar do que ele é capaz", disse Chávez nesta semana, lembrando em seguida que aprovou verbas para patrocinar o piloto logo no início da carreira dele.

Desde que ganhou vaga no grid, o piloto tem sido tratado como herói nacional e como símbolo do Estado socialista.

"Os fatos esportivos que alcançamos nos últimos anos neste país são graças a um apoio que nunca houve antes", disse Maldonado.

"Os atletas são mais importantes agora, e são mais valorizados... Estou contente com o apoio que o presidente Chávez tem me dado, não só econômico, mas moral também. É isso que mais motiva um esportista a defender suas cores nacionais."

Maldonado, que tem uma fundação de apoio a crianças carentes na Venezuela, será colega de equipe de Rubens Barriquello. A Williams não vence uma corrida desde 2004, e neste ano ficou em sexto lugar no Mundial de Construtores.

A temporada começa em março no Bahrein.