Argentina supera o Brasil como exportador de jogadores

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010 19:25 BRST
 

Por Miguel Lobianco

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina tirou do Brasil o título de maior exportador mundial de jogadores de futebol, tendência que pode não ser nada boa para o futebol local.

Na opinião de um agente do setor, os jogadores se tornaram ativos financeiros que os clubes podem vender para pagar dívidas.

"A realidade hoje é que o jogador é um ativo principal, supera o faturamento de televisão, o faturamento com ingressos, o faturamento por marketing, o faturamento por licenças", disse à Reuters Gerardo Molina, representante da empresa Euroamericas Sports Marketing, lembrando que muitos clubes argentinos estão endividados.

Entre 2009 e 2010, a Argentina - terra de craques como Lionel Messi e Carlos Tevez - transferiu para o exterior cerca de 1.800 jogadores, segundo dados recolhidos pela empresa de Molina. Nesse mesmo período, o Brasil - maior exportador da última década - transferiu 1.440 jogadores para a Europa e outros mercados.

Segundo Molina, as transferências de argentinos são elevadas também porque vigora no país um sistema pelo qual clubes e escolas de futebol podem transferir jogadores jovens ao exterior, enquanto em outros países só os clubes podem fazer isso.

O sistema de competição e a diminuição das restrições para jogadores estrangeiros nos clubes europeus resultaram em um aumento de cerca de 800 por cento na exportação de jogadores argentinos em cinco anos. E eles embarcam cada vez mais jovens, muitos deles com 15 ou 16 anos, quando estão ainda nas categorias juvenis e nem estrearam na primeira divisão local.

Mas poucos desses 1.800 terão a possibilidade de virar o novo Messi. O ex-jogador Adrián Domenech, diretor de categorias de base do clube Argentinos Juniors, disse que disputar competições europeias de segunda categoria em vez de jogar nos grandes times argentinos é um passo atrás para muitos jogadores.

"(Na) Turquia, Rússia, Ucrânia, Romênia, um monte de equipes que levaram jogadores tem poderio econômico, da Grécia também. Os jogadores foram porque têm um benefício econômico grande, mas sabendo que futebolisticamente por lá não é conveniente para a sua carreira."