20 de Dezembro de 2010 / às 22:17 / 7 anos atrás

PERFIL-Orlando Silva será "ministro" da Copa e da Olimpíada

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Orlando Silva Júnior permanece à frente do Ministério dos Esportes no governo de Dilma Rousseff para seguir na função de “ministro” da Copa e da Olimpíada, que o Brasil sediará em 2014 e 2016 respectivamente.

Baiano de Salvador, Orlando Silva nasceu em 27 de maio de 1971 e chegou ao Ministério dos Esportes em 2003. Por três anos, ocupou várias secretarias da pasta, então comandada por Agnelo Queiroz.

Em março de 2006, aos 34 anos, assumiu o comando do ministério com a saída de Agnelo para tentar uma vaga no Senado.

À sua frente, três grandes tarefas: uma candidatura de vitória certa para sediar a Copa do Mundo de 2014, a pretensão do Rio de Janeiro de sediar a Olimpíada de 2016 e os Jogos Pan-Americanos de 2007 em solo carioca.

Durante esse período, Orlando Silva viveu a disputa de várias cidades para receber jogos da Copa, a briga com Madri, Tóquio e Chicago para sediar os Jogos de 2016, e também se envolveu em polêmicas, como o escândalo dos cartões corporativos e suspeitas sobre o Orçamento dos Jogos Pan-Americanos.

Nesse período, na avaliação do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), colega de partido e amigo do ministro há 20 anos, Orlando Silva se valeu da experiência adquirida durante os anos de movimento estudantil, inclusive da época em que presidiu a UNE, entre 1995 e 1997.

“Eu acho que isso (movimento estudantil) deu ao Orlando uma capacidade de compreender o país”, disse o deputado, que também presidiu a UNE, mas entre 1980 e 1981.

“Também deu uma capacidade de conviver com opiniões, com tendências, e de administrar conflitos. Acho que isso é uma característica importante do Orlando.”

TAPIOCA COM CARTÃO

Casado com a atriz Ana Cristina Petta e pai de uma menina, Orlando Silva é fã de samba. Segundo sua mulher, o casal realiza eventualmente rodas do gênero musical na casa em que moram em São Paulo.

No ano passado, o ministro deu uma canja e soltou a voz, com desenvoltura, na festa de comemoração da vitória do Rio para sediar a Olimpíada de 2016 quando interpretou o clássico de Ary Barroso “Isto Aqui o Que É?”

O momento mais difícil de seus quase quatro anos de ministério foi o escândalo dos cartões corporativos em 2008, que resultou na saída da então ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro.

O titular da pasta dos Esportes se viu envolvido quando foi divulgado que teria usado o cartão de crédito corporativo para a compra de uma tapioca no valor de 8,30 reais. Ele alegou que realizou o gasto por engano, pois seu cartão pessoal seria parecido com o corporativo, e decidiu devolver mais de 30 mil reais ao Tesouro Nacional.

“Tomei a decisão de recolher aos cofres públicos todas as despesas realizadas por mim com cartões corporativos. Foi uma atitude política, um gesto político que reflete minha indignação”, disse durante depoimento á CPI mista dos Cartões Corporativos.

“Não poderia tolerar ataques à minha honra, minha ética.”

Mantido no ministério comandado pelo PCdoB desde a posse de Lula em 2003, Orlando Silva agora terá nova oportunidade para atacar o que diagnosticou ser o principal problema de sua pasta em entrevista à Reuters em 2009: a desvinculação do esporte à educação.

“Essa é uma grande debilidade que nós temos, e creio que haverá uma grande mobilização nacional para promover um desenvolvimento conjunto do esporte brasileiro”, disse à época.

Edição de Maria Pia Palermo

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