Jogo de críquete aproxima líderes da Índia e do Paquistão

quarta-feira, 30 de março de 2011 14:52 BRT
 

Por Sudipto Ganguly e Amlan Chakraborty

MOHALI, Índia (Reuters) - Os primeiros-ministros dos países inimigos Índia e Paquistão, ambos armados com bombas nucleares, ficaram lado a lado na quarta-feira durante uma partida da Copa do Mundo de Críquete e aplaudiram o hino nacional um do outro num gesto simbólico destinado a reatar os laços abalados pelos ataques de 2008 em Mumbai.

Os líderes cumprimentaram com um aperto de mão as duas equipes na cidade de Mohali, no norte da Índia, numa partida de semifinal entre os vizinhos que já entraram em guerra por três vezes depois da Independência em 1947.

O entusiasmo em torno do críquete é tamanho nos dois países que vários paquistaneses cruzaram uma das fronteiras mais militarizadas do mundo para chegar ao estádio, onde milhões de indianos tiraram o dia de folga para assistir ao jogo.

"Aproveite o críquete, não é a guerra!", era a manchete do jornal indiano Mail Today. Foi a primeira vez, depois dos ataques de Mumbai, que as duas equipes se enfrentaram na casa de uma delas.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, convidou o premiê paquistanês, Yusuf Raza Gilani, para assistir ao jogo e discutir a retomada do processo de paz, embora a "diplomacia do críquete" deva avançar mais nos gestos do que apresentar um grande progresso para encerrar o conflito que dura décadas.

"Mantendo em vista os sentimentos da população de ambos os países, irei até lá expressar solidariedade à nossa equipe, assim como à equipe deles (indiana) e promover o críquete", disse Gilani a jornalistas antes de embarcar para a Índia.

Os ataques em Mumbai em 2008 salientaram a desconfiança entre os dois países, que disputam a Caxemira há décadas, em um conflito marcado por uma série de outras questões, desde divergências com relação à fronteira a conflitos por água.

O governo indiano atribui a militantes paquistaneses, em conluio com elementos do governo daquele país, incluindo a agência de espionagem do Paquistão, o ataque em Mumbai, que matou ao menos 166 pessoas.   Continuação...

 
<p>Premi&ecirc; do Paquist&atilde;o, Yusuf Raza Gilani (esq) cumprimenta o premi&ecirc; da &Iacute;ndia, Manmohan Singh, antes do in&iacute;cio da semifinal da Copa do Mundo de Cr&iacute;quete, em Mohali, na &Iacute;ndia. 30/03/2011 REUTERS/Raveendran/Pool)</p>