Ministro rebate ONU e garante desapropriação sem arbitrariedade

sexta-feira, 6 de maio de 2011 15:13 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro do Esporte, Orlando Silva, rebateu na sexta-feira um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o qual o Brasil faltou com transparência e pagou indenizações insuficientes pelas desapropriações para obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Para ele, nenhuma "arbitrariedade" foi ou será cometida.

"Quero tranquilizar (os moradores) de que não haverá nenhuma arbitrariedade", disse o ministro durante seminário sobre o Mundial na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Orlando Silva citou o relatório da ONU e afirmou que o "raciocínio tem que ser invertido" e que essas pessoas vão morar em condições melhores.

"Existe a necessidade de desapropriações e a remoção de alguns que moram de maneira irregular. (Mas) não haverá remoção sem alternativa de moradia digna...É um compromisso do nosso governo", declarou.

De acordo com a relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU Raquel Rolnik, pode ter havido violações aos direitos humanos. Ela pediu no final de abril que o país interrompa as desapropriações até que essas questões sejam resolvidas.

Durante o seminário, o deputado estadual Luiz Moura (PT) alertou ao ministro que em São Paulo 2.000 famílias terão que deixar o local onde vivem, em Itaquera, na zona leste, para que sejam realizadas obras no entorno do estádio que será construído pelo Corinthians para o Mundial de 2014.

"Tem que se discutir de fato onde essas famílias serão colocadas", disse o deputado.

O ministro deixou o seminário antes de ouvir as demandas dos moradores da região.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, afirmou que as obras de infraestrutura em volta da arena não são de responsabilidade do clube, e sim dos governos do município e do Estado. Ele disse acreditar que as obras serão positivas para o local.   Continuação...