1 de Junho de 2011 / às 12:31 / 6 anos atrás

Blatter promete reformar Fifa e descentraliza poder

Por Mike Collett

ZURIQUE (Reuters) - O poder de conceder direitos de sediar uma Copa do Mundo será retirado de uma elite de executivos e confiado a todos os 208 membros do congresso da Fifa no futuro, disse o presidente da entidade, Joseph Blatter, nesta quarta-feira, enquanto luta para combater o ceticismo contra sua combalida organização.

Em um discurso elegante aos delegados, o suíço de 75 anos também disse que o Comitê de Ética da Fifa será reforçado e terá poderes para punir quaisquer malfeitores, e que seus membros serão selecionados por todo o congresso.

A entidade que comanda do futebol mundial foi duramente atingida por uma série de acusações de suborno e corrupção nos últimos meses, e Blatter disse que "os males" afetando a Fifa se originaram da decisão de dezembro passado de conceder os Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Catar.

Ele disse que a situação em que a Fifa se encontra é "indigna" e, recebendo aplausos da plateia, declarou que irá trabalhar para evitar que a organização se veja novamente nesta posição.

No espaço de poucos dias que antecederam seu 61o congresso, o Catar foi manchado por insinuações de que comprou a Copa de 2022; o chefe do futebol asiático, Mohamed bin Hammam, o chefe da Concacaf, Jack Warner, foram suspensos por alegações de suborno; e Bin Hammam se retirou da corrida presidencial, deixando Blatter como candidato único.

Uma proposta da Inglaterra de adiar a eleição presidencial desta quarta-feira foi derrotada mais cedo por 172 votos contra 17.

A parte mais reveladora do discurso bastante contido do geralmente mais animado mandatário contemplou a concessão de futuras Copas do Mundo - embora nenhuma deva ser anunciada até cerca de 2017 ou 2018, quando os anfitriões do torneio de 2026 serão finalmente escolhidos.

ÁGUAS TURBULENTAS

"De onde vêm todos estes males que agora estão na Fifa?", indagou ele antes de responder: "Tem a ver com a popularidade de nossa competição, a Copa do Mundo, a atribuição da Copa do Mundo e tudo em torno da votação de 2 de dezembro de 2010 desencadeou uma onda de acusações, propostas, alegações, críticas que continuam surgindo.

"Por esta razão digo que não estamos mais em uma pirâmide, estamos em um navio e ele está navegando em águas turbulentas."

"Por quê? Por causa do valor social e político da Copa do Mundo. É nossa tarefa reagir."

"Primeiro, é correto que a atribuição da Copa do Mundo seja feita pelo Comitê Executivo? Em uma das intervenções ouvimos que foi dito que deveríamos conceder poderes às associações, e estou 100 por cento de acordo, e no futuro a sede da Copa será decidida pelo congresso."

"O Comitê Executivo criará uma lista e não fará recomendações, depois o congresso decidirá o local."

A última vez em que o congresso decidiu a sede do Mundial foi em 1966, quando escolheu os anfitriões de 1974, 1978 e 1982 no mesmo dia.

Este sistema foi alterado no início dos anos 1970, quando João Havelange se tornou presidente. A fórmula sobreviveu até os dias de hoje.

Blatter também afirmou que, embora esteja preparado para enfrentar a ira pública com os recentes escândalos de corrupção, a Fifa precisa adotar ações mais duras contra malfeitores, acrescentando: "Temos o Comitê de Ética".

"Este comitê falou em tolerância zero. Basta falar? Não, precisamos de fatos, ação. Se temos os instrumentos e eles não bastam, temos duas soluções. Ou os reforçamos ou criamos mais deles."

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