31 de Julho de 2011 / às 18:07 / 6 anos atrás

Recordes da natação em Xangai reacendem debate sobre desempenho

O chinês Sun Yang depois dos 1500 metros livres de natação, em Xangai. 30/07/2011Christinne Muschi

XANGAI (Reuters) - O campeonato mundial de natação terminou no domingo e, depois de quase 350 disputas e 40 medalhas de outros, viu apenas dois novos recordes mundiais, um rendimento muito inferior aos 43 recordes quebrados em Roma, há dois anos.

O americano Ryan Lochte e o chinês Sun Yang foram os dois únicos nadadores que quebraram um recorde mundial no Centro Oriental de Esporte.

Lochte superou Michael Phelps nos 200 metros medley individual masculino e marcou o tempo de um minuto, 54,00 segundos, melhorando sua própria marca por 0,10 segundos.

Sun realizou uma chegada impressionante e quebrou o recorde de Grant Hackett nos 1.500 metros livres, que perdurou durante dez anos. O chinês marcou 14 minutos e 34,14 segundos, ligeiramente mais rápido que o tempo que Hackett cravou em Furuoka, em 2001, de 14:34:56.

A edição anterior do mundial, em Roma em 2009, viu a queda de 43 recordes mundiais, já que os nadadores conseguiram se beneficiar de roupas de poliuretano que ajudavam a boiar e aumentar a velocidade.

A regularidade das quebras era tanta que os críticos rotularam o evento de Roma de "campeonato de plástico", e a Fina (Federação Internacional de Natação), órgão que regula o esporte, baniu o uso dos trajes a partir de 1º de janeiro de 2010.

Poucos nadadores haviam chegado perto das marcas desde o banimento, e até os próprios detentores dos recordes tinham dificuldade de chegar perto de suas marcas. O alemão Paul Biedermann, que marcou 1:42:00 e venceu os 200 metros livres em Roma, foi quase três segundos mais lento na final em Xangai, e levou o bronze com 1:44:88.

Lochte se tornou a primeira pessoa a quebrar um recorde de longa distância desde que os trajes controversos foram banidos. E o americano esperava que seu desempenho provasse que o feito era possível.

"Todos pensaram que isso não ia acontecer, (que) nenhum recorde seria batido depois do traje", afirmou Lochte. "Eu queria provar que todo mundo estava errado. Que isso pode acontecer, que todo o esforço que fiz neste ano e no ano passado valeriam a pena. Espero que muitas outras pessoas agora talvez pensem que é possível."

O treinador principal da Austrália, Leigh Nugent, um crítico dos trajes antes que eles fossem proibidos, também viu justificadas as suas críticas, depois que as vestimentas foram retiradas das performances de natação.

"Acho que a disputa aqui foi fantástica e é isso que importa", afirmou Nugent. "Tenho certeza que, (para) os espectadores, a obsessão pelo recorde era de certa forma doentia, eles desfrutam da disputa agora, e não do resultado."

Por Greg Stutchbury; reportagem adicional de Soo Ai Peng

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