11 de Agosto de 2011 / às 12:37 / 6 anos atrás

Mano pede paciência na reconstrução da seleção

Técnicos do Brasil, Mano Menezes, e da Alemanha, Joachim Loew, durante amistoso entre as equipes em Stuttgart. 10/08/2011Thomas Bohlen

Por Brian Homewood

STUTTGART - Os preparativos do Brasil para receber a Copa do Mundo de 2014 têm sido marcados por atrasos nas obras em estádios e aeroportos, e o progresso da seleção anfitriã é igualmente lento.

Depois da desastrosa eliminação nas quartas de final da Copa de 2010, o técnico Mano Menezes foi nomeado para, com apoio da torcida e da CBF, colocar tudo abaixo e começar do zero.

A intenção era abandonar o futebol-força, de contra-ataques, que priorizava a vitória a qualquer custo -- características de Dunga, o antecessor -- e recuperar o futebol inventivo e ofensivo, tradicionalmente associado ao país.

Jovens talentos como Neymar e Paulo Henrique Ganso foram convocados, enquanto veteranos como Felipe Melo, Gilberto Silva e Luiz Fabiano foram sacados.

Mas, como admitiu o próprio Mano após a derrota de 3 x 2 no amistoso de quarta-feira contra a Alemanha, desfazer o time de Dunga foi fácil. Bem mais desafiador é criar algo novo.

"É um longo caminho a percorrer, e boas intenções não bastam", disse ele a jornalistas, após a primeira vitória alemã sobre o Brasil em 18 anos. "Gostaríamos de estar melhores. No futebol não há milagres, temos de ultrapassar esses estágios. Jogamos com três atacantes e um meia ofensivo, e ainda não fomos tão positivos quanto gostaríamos."

"Marcar e destruir é mais fácil, a parte criativa é mais difícil, e estamos aqui lutando. Está sendo muito difícil para nós criarmos jogadas ofensivas."

Com essa derrota, mais a frustrante campanha na Copa América (eliminado nos pênaltis pelo Paraguai nas quartas de final, após só uma vitória na primeira fase), aumenta a pressão sobre Mano.

A CBF, no entanto, disse que ele será mantido e que tudo está dentro dos planos. "Prefiro a realidade, mesmo que seja dura, à ilusão de resultados sem consistência, que poderiam trazer prejuízos ainda maiores no futuro", disse o presidente Ricardo Teixeira no site da Confederação. "O trabalho continua, com total confiança da CBF."

TAREFA NADA INVEJÁVEL

Mano, com sua personalidade tranquila e reflexiva, obteve seis vitórias, quatro empates e três derrotas nas 13 partidas que fez com a seleção. Sobre ele depositam-se enormes expectativas de conquistar o hexacampeonato jogando em casa -- e finalmente sepultar o fantasma da final de 1950, perdida para o Uruguai em pleno Maracanã.

Mas, na quarta-feira, o que se viu foi um time longe de estar entre os melhores do mundo. Mano admitiu que a equipe alemã, com idade média inferior a 24 anos, foi um exemplo do que deveria ser feito.

"Nossos adversários realmente sabiam onde o outro estava, sempre tiveram um meia defensivo no lugar certo, dificultaram tudo. Estamos longe de chegar a esse grau de automação", disse.

Sua grande preocupação era de que o Brasil dependesse de momentos de inspiração individual de seus jogadores, em vez de construir jogadas coletivamente. Por isso, o treinador -- que ganhou respeito ao trazer o Grêmio e o Corinthians de volta à Série A -- acha que está no caminho certo.

"Estamos procurando os jogadores certos, e já encontramos vários, capazes de serem jogadores que podem se desenvolver durante este período e que podem se transformar nesses jogadores que queremos para considerar o time forte", afirmou.

"Não podemos compará-los a jogadores estabelecidos, mas eles têm potencial para isso, têm a qualidade e a personalidade para jogar na seleção. Ainda temos bastante tempo."

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