ENTREVISTA-É preciso mudar imagem do jogador de futebol--FIFPro

quinta-feira, 15 de setembro de 2011 15:20 BRT
 

Por Brian Homewood

HOOFDDORP, Holanda (Reuters) - O atacante montenegrino Nikola Nikezic disse ter sido ameaçado com uma arma e espancado depois de se recusar a encerrar seu contrato antes do vencimento com o clube Kuban Krasnodar.

O caso dele é um exemplo extremo, mas o sindicato mundial dos jogadores de futebol (FIFPro) disse que isso mostra que o estilo de vida do jogador médio é bem distante da imagem comum de mansões, carros esportivos e casamentos com lindas mulheres.

A grande maioria é composta por assalariados comuns e, em alguns casos, se vê em países estrangeiros à mercê de agentes e clubes inescrupulosos ou têm dificuldade para receber o salário em dia.

Eles também enfrentam a dificuldade adicional de ter de começar tudo de novo com uma nova carreira quando se aposentam na faixa dos 30 anos.

"A imagem do jogador tem a ver com carros, mulheres e dinheiro e nós sabemos que essa não é a realidade", disse à Reuters o secretário-geral do FIFPro, Theo van Seggelen, em entrevista.

"Vamos ser honestos; não deixamos claro para o público que a realidade é o oposto, que o jogador médio na segunda divisão holandesa, por exemplo, ganha 40 mil euros (54,7 mil dólares) por ano, o que não é o suficiente para viver".

"Noventa e cinco por cento de nossos 60 mil membros são trabalhadores normais que têm de trabalhar para ganhar um salário, eles têm uma família com crianças pequenas que precisam ir para a escola, com o financiamento de uma casa pequena e um carro pequeno."

"A diferença entre os grandes jogadores e os jogadores menores é que os grandes jogadores têm três carros na garagem, e os menos conhecidos têm uma bicicleta -- mas eles jogam o mesmo jogo."

O Kuban foi multado em mais de 70 mil euros por anular de maneira incorreta o contrato de Nikezic. A federação russa de futebol disse que não se pode provar que o jogador tenha sofrido uma agressão física.

A influência do FIFPro, que foi fundado em 1965 representa sindicatos de jogadores de 43 países e há ainda outros oito se candidatando a entrar no sindicato.