A mil dias da Copa, Mineirão faz greve em visita de Dilma e Pelé

sexta-feira, 16 de setembro de 2011 15:47 BRT
 

Por Pedro Fonseca

BELO HORIZONTE (Reuters) - A contagem regressiva de mil dias para a Copa do Mundo de 2014 começou nesta sexta-feira em meio à greve dos operários da reforma do estádio do Mineirão, escolhido pelo governo para receber a visita da presidente Dilma Rousseff e de Pelé no principal evento para marcar a data nas cidades-sede do Mundial.

A greve no Mineirão, iniciada na quinta-feira, se soma à paralisação que dura mais de duas semanas no Maracanã, o palco principal do Mundial, e aumenta a pressão sobre os organizadores para concluir as obras exigidas para a competição, que estão atrasadas e já foram alvo de duras críticas da Fifa.

Trabalhadores da reforma do Mineirão, um dos estádios em situação mais avançada na preparação para o evento e candidato a receber a abertura do Mundial, abandonaram o trabalho pelo segundo dia consecutivo e protestaram do lado de fora nesta manhã pedindo aumento de salário e melhores condições de serviço.

"Se não sair a melhoria para o trabalhador o Mineirão não vai ficar pronto. A obra vai levar é dois mil anos", disse um dos grevistas em um carro de som do lado de fora do estádio.

Durante a rápida visita às obras de Dilma e de autoridades incluindo Pelé, o embaixador do Brasil para a Copa, nenhum operário estava trabalhando e um local destinado aos trabalhadores para receber a presidente estava vazio. Apenas alguns encarregados - que não participam do movimento grevista - saudaram Dilma e o ex-jogador da seleção. Os grevistas não tiveram qualquer contato com a presidente.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção de BH e Região, a paralisação aconteceu porque um acordo fechado após uma greve em junho não estaria sendo cumprido. Naquela ocasião, as obras ficaram paradas por quase uma semana.

O consórcio de construtoras Minas Arena disse em nota que cumpre as exigências de uma convenção coletiva com os trabalhadores e que mantém "altos padrões de qualidade e segurança", e a Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo do governo mineiro informou na quinta-feira, após o início da greve, que os operários tinham interrompido as obras apenas pela manhã. Os operários, no entanto, garantiram que a greve continua enquanto não forem atendidas às exigências.

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A presidente Dilma aperta a mão de Pelé durante visita de Dilma ao local da reforma do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. 16/09/2011  REUTERS/Washington Alves