16 de Setembro de 2011 / às 13:48 / em 6 anos

A mil dias da Copa, Mineirão faz greve em visita de Dilma e Pelé

A presidente Dilma aperta a mão de Pelé durante visita de Dilma ao local da reforma do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. 16/09/2011 REUTERS/Washington Alves

Por Pedro Fonseca

BELO HORIZONTE (Reuters) - A contagem regressiva de mil dias para a Copa do Mundo de 2014 começou nesta sexta-feira em meio à greve dos operários da reforma do estádio do Mineirão, escolhido pelo governo para receber a visita da presidente Dilma Rousseff e de Pelé no principal evento para marcar a data nas cidades-sede do Mundial.

A greve no Mineirão, iniciada na quinta-feira, se soma à paralisação que dura mais de duas semanas no Maracanã, o palco principal do Mundial, e aumenta a pressão sobre os organizadores para concluir as obras exigidas para a competição, que estão atrasadas e já foram alvo de duras críticas da Fifa.

Trabalhadores da reforma do Mineirão, um dos estádios em situação mais avançada na preparação para o evento e candidato a receber a abertura do Mundial, abandonaram o trabalho pelo segundo dia consecutivo e protestaram do lado de fora nesta manhã pedindo aumento de salário e melhores condições de serviço.

“Se não sair a melhoria para o trabalhador o Mineirão não vai ficar pronto. A obra vai levar é dois mil anos”, disse um dos grevistas em um carro de som do lado de fora do estádio.

Durante a rápida visita às obras de Dilma e de autoridades incluindo Pelé, o embaixador do Brasil para a Copa, nenhum operário estava trabalhando e um local destinado aos trabalhadores para receber a presidente estava vazio. Apenas alguns encarregados - que não participam do movimento grevista - saudaram Dilma e o ex-jogador da seleção. Os grevistas não tiveram qualquer contato com a presidente.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção de BH e Região, a paralisação aconteceu porque um acordo fechado após uma greve em junho não estaria sendo cumprido. Naquela ocasião, as obras ficaram paradas por quase uma semana.

O consórcio de construtoras Minas Arena disse em nota que cumpre as exigências de uma convenção coletiva com os trabalhadores e que mantém “altos padrões de qualidade e segurança”, e a Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo do governo mineiro informou na quinta-feira, após o início da greve, que os operários tinham interrompido as obras apenas pela manhã. Os operários, no entanto, garantiram que a greve continua enquanto não forem atendidas às exigências.

ESTÁDIOS NO PRAZO

Apesar das greves, a situação geral dos estádios está mais adiantada do que obras de infraestrura para a Copa do Mundo, principalmente de mobilidade urbana e reforma e ampliação dos aeroportos --que são os principais motivos de preocupação da Fifa.

“Os estádios da Copa caminham bem, e talvez Belo Horizonte seja um dos melhores exemplos disso. Nós teremos seguramente no final do próximo ano nove estádios prontos, confortáveis e seguros para o torcedor brasileiro, e que posteriormente receberão jogos da Copa do Mundo”, disse a jornalistas o ministro do Esporte, Orlando Silva, após a visita.

O ministro procurou minimizar preocupações com as greves.

“Essas greves não foram as primeiras e certamente não serão as últimas, são reivindicações dos trabalhadores”, disse. “O que nós não podemos perder é o prazo de execução das obras. Até os trabalhadores em greve querem terminar a obra no prazo como brasileiros que são.”

Das 12 arenas do Mundial, as três que ficarão prontas depois do ano que vem são a de Manaus, que deverá estar pronta em meados de 2013, e os estádios de São Paulo e Natal, que só devem ser concluídos em dezembro de 2013 ou no início de 2014.

Diferentemente do que estava previsto, nenhum alto dirigente do comitê organizador ou da Fifa esteve presente ao evento em Belo Horizonte, que foi o mais importante entre os realizados pelas cidades-sedes para iniciar a contagem regressiva para o Mundial.

O presidente da Confederação Brasileiro de Futebol (CBF) e do comitê organizador da Copa, Ricardo Teixeira, desafeto público de Pelé, foi a ausência mais marcante.

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