22 de Outubro de 2011 / às 00:52 / 6 anos atrás

Dilma mantém Orlando Silva e aguarda evolução política da crise

O ministro do Esporte, Orlando Silva, concede entrevista coletiva no dia 17 de outubro em Brasília. 17/10/2011Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff manteve no cargo o ministro do Esporte, Orlando Silva, pressionado por denúncias ainda não comprovadas de desvios de recursos na pasta, e, segundo uma fonte do Palácio do Planalto, vai acompanhar a evolução política do caso nos próximos dias.

O ministro se reuniu por cerca de uma hora e meia com Dilma nesta sexta-feira e ao final do encontro disse que a presidente afirmou que ele deve continuar com seu trabalho à frente do ministério.

Segundo a fonte, que pediu para não ter seu nome revelado, Dilma quer aguardar ao menos a repercussão política da permanência do ministro no cargo e ver se surgem denúncias mais contundentes contra Silva, para depois tomar uma decisão definitiva.

Se houver alguma prova que envolva diretamente o auxiliar em algum desvio, é provável que a presidente reavalie a decisão na próxima semana.

Na conversa com a presidente e com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, Silva apresentou explicações sobre as denúncias veiculadas na mídia contra ele, o PCdoB, ao qual é filiado, e o ministério.

"Desmascarei diante da presidente todas as mentiras que foram perpetradas contra mim", disse Silva a jornalistas após se reunir com a presidente.

"Ela (Dilma) sugeriu muita serenidade e paciência e reafirmou sua confiança no nosso trabalho", afirmou o ministro.

Em nota da assessoria da Presidência, Dilma afirmou que "o governo não condena ninguém sem provas... não lutamos inutilmente para acabar com o arbítrio e não vamos aceitar que alguém seja condenado sumariamente."

Segundo uma outra fonte do governo, que falou sob condição de anonimato, na conversa Dilma não condicionou a permanência de Silva no cargo e não marcou nenhuma reunião de reavaliação de sua decisão para o final de semana.

Questionado sobre as declarações do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que disse a jornalistas na Suíça que conversaria com o novo ministro de Dilma em novembro, Silva afirmou que o Brasil e a entidade têm interesses díspares, mas o objetivo comum de realizar a Copa do Mundo de 2014.

"A relação da Fifa com o governo do Brasil é uma relação institucional. O governo do Brasil tem os seus interesses, a Fifa tem os seus interesses e o governo do Brasil e a Fifa... não necessariamente sempre vamos pensar da mesma maneira", disse.

Mais cedo, ao saber das declarações de Valcke, Dilma ficou irritada, segundo relato de um auxiliar, e teria dito que "quem decide o ministro do Brasil é o governo brasileiro. A Fifa que cuide dos seus assuntos."

O governo teme que a Fifa e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tirem proveito do enfraquecimento político do ministro para pressionar por mudanças na Lei Geral da Copa que começou a tramitar no Congresso na semana passada.

DENÚNCIAS

As primeiras denúncias foram levantadas pelo policial militar João Dias Ferreira, que, em entrevista à revista Veja do último fim de semana, afirmou que o ministro participaria de suposto esquema de desvio de recursos usando organizações não-governamentais (ONGs) conveniadas ao ministério para beneficiar o PCdoB, tendo inclusive recebido dinheiro pessoalmente na garagem do ministério.

Desde então, o ministro, a pasta e o partido têm sido alvos de novas denúncias na mídia.

Silva rebateu as acusações durante a semana, em coletivas de imprensa e duas audiências públicas no Congresso Nacional.

Antes do encontro com a presidente nesta sexta-feira, o ministro ainda divulgou nota listando e negando novas suspeitas divulgadas pela mídia nos últimos dias, além de reafirmar que entrou com queixa-crime contra Dias e um outro acusador, Célio Soares Pereira, por calúnia.

O Ministério do Esporte tem visibilidade internacional por ser um dos responsáveis pelas políticas públicas e preparação do país para a Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, de 2016.

Reportagem de Maria Carolina Marcello e Jeferson Ribeiro

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