30 de Outubro de 2011 / às 21:44 / 6 anos atrás

Brasil comemora resultado do Pan mas leva poucas vagas olímpicas

(Reuters) - O esporte brasileiro despediu-se do Pan de Guadalajara, neste domingo, comemorando o melhor desempenho do país numa edição da competição realizada no exterior, mas apenas cinco modalidades conseguiram aproveitar os Jogos para assegurar vaga na Olimpíada de Londres do ano que vem.

Pentatlo moderno feminino, hipismo CCE, handebol feminino, triatlo masculino e canoagem foram os esportes que cumpriram no México a principal expectativa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ao conseguirem suas classificações olímpicas. Nos saltos ornamentais, o Brasil ainda espera a Federação Internacional de Natação (Fina) confirmar se o bronze de Cesar Castro no trampolim de 3 metros vale a vaga em Londres, uma vez que o México, que já estava classificado, ficou com ouro e prata na prova.

Em esportes como handebol masculino, hipismo adestramento, triatlo feminino, pentatlo moderno masculino, pólo aquático, tênis de mesa, nado sincronizado e tiro esportivo, no entanto, os representantes do Brasil não conseguiram os resultados necessários para se classificar aos Jogos Olímpicos através do Pan-Americano.

“Nossa prioridade aqui era conquistar vagas para os Jogos Olímpicos e, com os resultados obtidos, o Time Brasil já conta com um total de 104 atletas de 13 esportes garantidos em Londres 2012. O desafio agora é classificar mais atletas nos torneios qualificatórios que virão pela frente”, disse em entrevista coletiva o superintendente executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire, segundo nota no site da entidade.

Com 48 medalhas de ouro e 141 no total, o resultado em Guadalajara fica atrás apenas do recorde de 157 medalhas, sendo 52 de ouro, obtido no Rio de Janeiro há quatro anos. Em comparação com Santo Domingo-2003, a antiga melhor marca do Brasil em Pans no exterior, os atletas do país atropelaram a marca de 123 medalhas, sendo 29 de ouro.

Atletismo, judô, tiro esportivo, ginástica artística masculina, ginástica rítmica, levantamento de peso e triatlo tiveram em Guadalajara resultados superiores ao que obtiveram no Rio, enquanto a natação repetiu o destaque conquistado no Parque Aquático Maria Lenk em 2007, com as mesmas 10 medalhas de ouro.

“Estamos no caminho certo, ao investir cada vez mais na qualidade da estrutura de treinamento e de competição para os atletas. Isso faz toda a diferença e se traduz em melhores resultados e medalhas”, disse Bernard Rajzman, o chefe da delegação brasileira que teve 515 atletas no Pan.

3o LUGAR GERAL

No quadro de medalhas geral, o Brasil repetiu o terceiro lugar de 2007, atrás apenas de EUA e Cuba. Durante boa parte dos Jogos o Brasil esteve em segundo, mas foi ultrapassado pelos cubanos, por 58 a 48 medalhas de ouro, após as competições de boxe e atletismo. Os EUA venceram com 92 medalhas de ouro e 236 no total.

A última medalha de ouro do Brasil, conquistada pelo ex-catador de lixo Sonolei Rocha da Silava na maratona deste domingo, consolidou o melhor desempenho do atletismo do país em Pans. Foram 10 medalhas de ouro, seis pratas e sete bronzes em Guadalajara, incluindo a dobradinha nas maratonas masculina e feminina.

O judô brasileiro também fez em Guadalajara sua melhor campanha em Jogos Pan-Americanos ao conquistar seis ouros, três pratas e quatro bronzes, superando os cinco títulos conquistados em Indianápolis-1987 e Santo Domingo-2003. O país liderou o quadro de medalhas da modalidade neste Pan, com apenas um terceiro lugar a mais que Cuba.

A natação também foi destaque no Pan, com dez medalhas de ouro, oito de prata e seis de bronze. Comandada pelo campeão olímpico e mundial Cesar Cielo, a equipe só ficou atrás dos Estados Unidos no quadro geral da natação. Os EUA obtiveram 44 pódios--18 de ouro, 18 de prata e 8 de bronze.

Cielo ganhou as quatro provas que disputou, enquanto Thiago Pereira levou seis ouros, uma prata e um bronze, tornando-se o recordista brasileiro em medalhas douradas em Jogos Pan-Americanos, com 12 no total. O nadador superou assim o mesa-tenista Hugo Hoyama, que tem 10 ouros.

Thiago Pereira beneficiou-se do fato de os EUA não terem mandado seus principais nadadores para o México.

DECEPÇÃO COLETIVA

O Brasil teve um desempenho fraco nos esportes coletivos. O pior deles foi o basquete, em que o time masculino foi eliminado na primeira fase após derrotas de virada para Estados Unidos e República Dominicana. A equipe feminina teve uma derrota surpreendente para Porto Rico na semifinal e acabou com a medalha de bronze.

No futebol, os homens só disputaram a fase de grupos -- empataram com Cuba e perderam para Costa Rica -- e foram para casa mais cedo. As mulheres, campeãs em Santo Domingo-2003 e Rio-2007, foram derrotadas na decisão para o Canadá, nos pênaltis, e levaram a prata.

O handebol, que classificava os campeões para os Jogos Olímpicos de Londres, conseguiu o título no feminino mas sofreu uma derrota dolorosa para os argentinos na final entre os homens.

O vôlei, por outro lado, foi bem. Após perder para Cuba no Rio, há quatro anos, as brasileiras se vingaram e obtiveram o ouro, enquanto os homens conquistaram o bicampeonato, também derrotando Cuba na final, apesar de terem disputado os Jogos com uma equipe mista. Na praia, o país obteve os primeiros lugares com suas duas duplas.

Na ginástica artística, o Brasil observou uma queda de rendimento da equipe feminina, que ficou em quinto lugar (após o bronze em 2003 e a prata em 2007) e só levou dois bronzes, ambos com Daniele Hypólito, no solo e na trave.

Já os homens obtiveram uma ascensão, ganharam a prova por equipes, e Diego Hypólito levou o bicampeonato no solo e no salto, totalizando três ouros na competição. Ele foi o escolhido para ser o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de encerramento.

Texto de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro, e Tatiana Ramil, em São Paulo

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