8 de Novembro de 2011 / às 18:35 / em 6 anos

ENTREVISTA-Turbulência política no Brasil não afetará Jogos--COI

Por Karolos Grohmann

BERLIM (Reuters) - Os escândalos de corrupção no governo brasileiro, a série de demissões de ministros e os atrasos nas obras da Copa do Mundo de 2014 não afetarão os preparativos do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016, disse uma importante autoridade do Comitê Olímpico Internacional (COI) nesta terça-feira.

O Brasil, que vai receber os dois maiores eventos esportivos do mundo num intervalo de dois anos, teve no mês passado a demissão do ministro do Esporte, Orlando Silva -- o sexto integrante do gabinete da presidente Dilma Rousseff a deixar o governo este ano e o quinto a cair diante de acusações de comportamento antiético.

Orlando Silva era o homem do governo para coordenar os preparativos de infraestrutura para os dois eventos.

“Os preparativos para os Jogos sempre têm seus altos e baixos”, disse o vice-presidente do COI Thomas Bach à Reuters em uma entrevista.

“O comitê organizador (do Rio 2016) está fazendo um excelente trabalho e o comprometimento político continua tão forte como sempre, também com a nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff”, acrescentou.

“O novo ministro do Esporte (Aldo Rebelo) terá estes dois grandes eventos como uma prioridade. Eu acho que não há nenhuma razão para ficarmos preocupados”, disse Bach, acrescentando que os trabalhos para a Copa do Mundo também vão beneficiar os Jogos, dois anos depois.

Os preparativos para o torneio de futebol têm sofrido críticas tanto na construção de estádios como nas obras de infraestrutura, principalmente no setor de transportes, devido a atrasos e aumentos de custos.

“Em relação ao Rio não devemos cometer o erro de traduzir alguns dos desafios em relação à Copa do Mundo como se fossem dos Jogos Olímpicos. São duas questões diferentes”, disse o alemão Bach, que também dirige o comitê olímpico de seu país.

ELOGIOS A LONDRES 2012

Bach, medalhista de ouro olímpico de esgrima e um potencial candidato a suceder o presidente do COI, Jacques Rogge, quando terminar o mandato do belga em 2013, elogiou os preparativos dos Jogos de Londres, dizendo que espera que a Olimpíada de 2012 tenha um sentimento único.

“Os organizadores e (o chefe dos Jogos) Seb Coe em particular serão bem sucedidos em combinar os Jogos Olímpicos e a tradição esportiva britânica, com um grande apelo para a juventude”, disse.

“Em termos de organização, tudo está dentro do prazo e do orçamento”, afirmou.

O COI, no entanto, não poderá aplicar em Londres uma regra criada para proibir usuários de doping que receberam uma suspensão de no mínimo seis meses de competir lá, depois que a Corte Arbitral do Esporte rejeitou a lei no mês passado.

Mas a chamada “regra de Osaka”, criada em 2008 antes das Olimpíadas de Pequim, será incuída de volta na revisão do código da Agência Mundial Antidoping (Wada) em 2013.

“Vamos pressionar por uma mudança no código da Wada, porque queremos proteger os atletas limpos e a reputação dos Jogos”, disse Bach. “Vai ser mais ou menos a mesma (regra) após discussões com todos os interessados.”

Bach também está aguardando os resultados de um estudo alemão sobre o doping no país nos últimos 50 anos, rejeitando alegações de que houve doping sistemático na Alemanha Ocidental assim como foi o caso na Alemanha Oriental, que teve seu programa de doping bem documentado. A primeira parte do estudo foi divulgada recentemente.

“Este é um relatório provisório. É mais sobre pistas e temos que esperar o relatório final, mas o que os autores deixaram bem claro é que na Alemanha Ocidental não havia nenhum programa de doping estatal. Isso está bem claro”, disse ele.

“Havia alguns indícios de que algumas instituições supostamente fecharam os olhos, mas isso você tem que ver no contexto da discussão científica do momento. A discussão sobre os esteróides anabolizantes foi bastante divisiva no mundo científico da época. É fácil julgar em retrospectiva”.

Ele disse que o Comitê Olímpico Alemão vai comentar sobre os resultados uma vez que o relatório completo for divulgado no próximo ano.

ALEGAÇÕES DE CORRUPÇÃO

Bach disse que o encontro do comitê executivo do COI no próximo mês vai discutir uma investigação ética em curso sobre membros do COI, após um programa da BBC acusando dirigentes esportivos de corrupção.

O chefe do atletismo mundial, Lamine Diack, o ex-presidente da Fifa João Havelange, e o chefe do futebol africano, Issa Hayatou, -- todos membros do COI -- foram acusados de ligação em casos de corrupção que abalaram a Fifa nos últimos 12 meses.

Se o COI vai apenas discutir a questão ou se haverá ações específicas contra os membros acusados durante a reunião de dezembro em Lausanne ainda não estava claro.

“Eu não vi nenhuma documentação ainda da nossa comissão de ética. Eu só soube que será discutido na próxima reunião do comitê executivo”, disse Bach. “Não posso especular. Eu quero que eles produzam um relatório justo”.

Bach também foi lacônico sobre especulações de que ele iria concorrer à presidência do COI na votação daqui a dois anos. Ainda não há candidaturas oficiais para essa disputa, mas muitos especulam que Bach está entre os principais candidatos para o cargo.

“É uma honra as pessoas pensarem que você poderia ser um dos candidatos. Para esse tipo de pergunta dois anos são uma eternidade, e é por isso que eu ainda tenho que tomar uma decisão”, disse.

“Por outro lado, acho que não seria justo com o COI, e nem com o residente Rogge, iniciar discussões pessoais agora sobre o seu sucessor”, acrescentou.

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