16 de Novembro de 2011 / às 21:54 / em 6 anos

ENTREVISTA-Phelps diz ter achado inspiração para Londres-2012

Por Julian Linden

NOVA YORK (Reuters) - Quando Michael Phelps chegou ao topo da glória olímpica, vencendo oito provas na Olimpíada de Pequim-08, só uma coisa o incomodou: a percepção de que, depois daquilo, não havia mais como subir.

Sem hesitação, o norte-americano, maior vencedor da história olímpica - 14 ouros no total -, declarou que iria competir nos Jogos de Londres-12, mas sem ter certeza em quantas provas, ou qual meta ele adotaria.

Ele descartou a hipótese de tentar somar nove ouros, e depois disse que não iria nem mesmo tentar repetir os oito de Pequim. Agora, faltando oito meses para a Olimpíada, ele ainda mantém o mistério sobre o que buscará nas piscinas britânicas - em parte porque ele mesmo não sabe.

“Não serão oito provas”, disse ele à Reuters numa entrevista exclusiva por ocasião da sua contratação como garoto-propaganda de um xampu anticaspa. “Mas será um programa desafiador, e será um programa em que achamos que podemos ter mais sucesso. Vamos simplesmente tentar trabalhar para isso agora.”

Seu maior problema desde a Olimpíada da China tem sido encontrar motivação para levantar ainda de madrugada e dar milhares de braçadas na piscina, o que é uma necessidade para quem deseja permanecer no topo.

Ícone global do esporte, ele fez fortuna com os contratos publicitários, de modo que não é nem pelo dinheiro nem pela fama que ele cai na água.

“Não tem sido fácil”, disse Phelps numa franca entrevista à Reuters nesta semana. “Para que eu seja capaz de algo, preciso dar 100 por cento, e nos últimos anos, tenho de ser honesto, não dei 100 por cento. Isso apareceu nos meus resultados, e houve muitas vezes em que eu simplesmente não queria mais.”

No Mundial de Natação de Roma, em 2009, Phelps participou de seis provas. Ganhou cinco ouros e uma prata, mas estava claramente infeliz. Naquele torneio, ele viu o alemão Paul Bierdemann, representante de uma nova geração das piscinas, derrubar o seu recorde mundial dos 200 metros livre.

No Mundial seguinte, disputado neste ano em Xangai, Phelps ganhou quatro ouros e foi derrotado pelo compatriota Ryan Lochte nas finais dos 200 metros livre e 200 metros medley - embora tenha feito o melhor tempo da sua vida nessa última prova.

Inicialmente, ele desanimou, mas isso acabou sendo o impulso que lhe faltava para Londres. Pela primeira vez desde Pequim, ele via um jeito de continuar subindo. Desafiado, voltou a treinar com afinco.

“Essas provas foram definitivamente extremamente frustrantes para mim, mas ao mesmo tempo elas me deram uma motivação que eu nem poderia pedir. Elas realmente vão me manter vivo e forte, e darão uma chama extra para acender”, disse Phelps.

Ele disse que está agora nadando 70 quilômetros por semana. “Sinto que voltei a ser o velho eu”, declarou. “Tenho tantas metas que desejo cumprir, vejo esses oito meses de trabalho árduo. Tenho o resto da minha vida para passar de férias, viajar o mundo, me divertir e fazer o que eu quiser. Estou aproveitando o que eu faço agora, e é assim que deve ser. Ninguém está me forçando a trabalhar, ninguém está me forçando a competir. Encontrei uma forma de tornar a natação divertida outra vez.”

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