Ofensas racistas devem ser esquecidas, afirma Blatter

quarta-feira, 16 de novembro de 2011 20:28 BRST
 

BERNA (Reuters) - Jogadores que sofrem insultos raciais durante as partidas devem encarar isso como uma provocação normal dentro de campo, e apertar a mão dos adversários ao final da partida, disse na quarta-feira o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

"Talvez um dos jogadores tenha uma palavra, um gesto para o outro que não seja o correto. Mas o que é afetado por isso deve dizer: 'É um jogo, estamos num jogo, e no final do jogo deveríamos apertar as mãos'", disse Blatter à CNN. Ele repetiu comentários do mesmo teor em outra entrevista, à Al Jazeera.

"No campo de jogo, às vezes você diz algo que não é muito correto. No final do jogo, acabou, e você tem outro jogo em que pode se comportar melhor", afirmou o suíço.

As declarações de Blatter foram recebidas com irritação pelo zagueiro Rio Ferdinand, do Manchester United e da seleção inglesa.

"Eu me sinto estúpido por achar que o futebol estaria assumindo o protagonismo contra o racismo", disse Ferdinand no Twitter.

A Fifa depois divulgou nota de Blatter em que ele diz ter sido mal entendido. "O que eu quis expressar é que, como jogador de futebol, durante uma partida, você tem 'batalhas' com seus adversários, e às vezes são feitas coisas erradas. Mas normalmente, no final do jogo, você pede desculpas ao seu adversário se você teve um confronto durante o jogo, você aperta as mãos, e, quando o jogo acabou, acabou."

"Quem já jogou uma partida de futebol, ou uma partida de qualquer esporte, sabe que é assim. Agora, quero salientar novamente que não quero diminuir a dimensão do problema do racismo na sociedade e no esporte. Estou comprometido em combater essa praga e chutá-la para fora do futebol."

À Al Jazeera, no entanto, Blatter disse que o racismo não é um problema grave do esporte. "Racismo se há é dos espectadores, ou há movimentos de discriminação fora do campo de jogo, mas, no campo, nego que haja racismo", afirmou. "Você pode dizer alguma coisa a alguém que não se parece exatamente com você (...), mas no final da partida é esquecido. Depois da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, minha opinião foi de que o racismo e a discriminação desapareceram, porque aquela Copa do Mundo provou que você pode conectar as pessoas."

Nas entrevistas, Blatter também disse que não disputará um novo mandato na Fifa em 2015, e falou sobre o seu legado como dirigente do futebol mundial.

"O que eu quero conseguir é que no final dos meus mandatos eu possa dizer que o futebol é agora parte da nossa sociedade e, especialmente na parte social e cultural, que o futebol é mais do que um jogo, é uma escola de vida."