17 de Novembro de 2011 / às 14:23 / 6 anos atrás

Ingleses cobram renúncia de Blatter por comentários sobre racismo

Presidente da Fifa, Joseph Blatter, durante coletiva de imprensa após reunião do comitê executivo da Fifa, em Zurique, em outubro. O ministro do Esporte da Grã-Bretanha, Hugh Robertson, e o líder do sindicato dos jogadores de futebol ingleses, Gordon Taylor, defenderam na quinta-feira a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, após declarações do dirigente suíço que pareceram atenuar o problema do racismo no futebol. 21/10/2011Christian Hartmann

Por Mike Collett

LONDRES (Reuters) - O ministro do Esporte da Grã-Bretanha, Hugh Robertson, e o líder do sindicato dos jogadores de futebol ingleses, Gordon Taylor, defenderam na quinta-feira a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, após declarações do dirigente suíço que pareceram atenuar o problema do racismo no futebol.

Blatter, de 75 anos, se mostrou "fora de sintonia e fora do seu tempo", na avaliação de Taylor, após afirmar na quarta-feira em duas entrevistas à CNN e à Al Jazeera que não há racismo nos gramados e que jogadores envolvidos em eventuais ofensas deveriam acertar as diferenças com um aperto de mãos ao final da partida.

"Isso passa dos limites", disse Taylor à emissora Sky Sports News. "Falar como ele falou mostra que ele está totalmente fora de sintonia e fora do seu tempo."

"Ele deveria dar lugar a Michel Platini (presidente da Uefa). Se há uma pessoa que deveria entender a questão do racismo é o chefe da Fifa, que tem 200 países no mundo, que são tão diversos e têm origens, cores, culturas e credos diferentes, e se ele não está entendendo então precisa sair."

Questionado sobre se estava propondo a renúncia de Blatter, Taylor disse: "Acho que sem sombra de dúvida".

As declarações de Blatter foram transmitidas no mesmo dia em que a Associação de Futebol da Inglaterra iniciou um processo contra o atacante uruguaio Luis Suárez, do Liverpool, devido a supostas ofensas raciais contra o zagueiro francês Patrice Evra, do Manchester United, no mês passado. Suárez nega a acusação.

A entidade também está investigando suspeitas de que John Terry, do Chelsea, teria proferido xingamentos raciais contra o zagueiro Anton Ferdinand, do Queens Park Rangers. Terry nega as acusações, que estão sendo investigadas também na esfera policial.

O ministro Robertson, perguntado na rádio BBC se Blatter deveria deixar o cargo, disse: "Sim, nós temos dito isso há algum tempo. Isso é incrivelmente sério, mas é apenas parte de um modelo de comportamento."

A imprensa britânica também se insurgiu contra Blatter. O jornal Sun o chamou de "cego" em sua manchete. Já a imprensa continental europeia foi mais comedida com o assunto. A italiana Gazzetta dello Sport, por exemplo, ignorou a polêmica em seu site.

Pelo Twitter, o zagueiro Rio Ferdinand - jogador do Manchester United e da seleção inglesa, e irmão de Anton - foi um dos críticos mais incisivos às declarações de Blatter.

"Seus comentários sobre o racismo são tão condescendentes que são quase risíveis. Se a torcida grita coros racistas, mas aperta as nossas mãos está tudo bem?", escreveu ele. "Eu me sinto estúpido por achar que o futebol estava assumindo um papel de destaque contra o racismo - parece que ele estava apenas calado por um tempo."

ENTREVISTAS POLÊMICAS

Na entrevista à CNN, Blatter disse, quando questionado sobre a existência de racismo no futebol: "Eu negaria. Não há racismo, o que talvez haja seja um jogador contra o outro, ele solta uma palavra ou um gesto que não é o correto".

"Mas também aquele que é afetado por isso deve dizer que é um jogo. Estamos num jogo, e no final do jogo apertamos as mãos, e isso pode acontecer, porque temos trabalhado muito contra o racismo e a discriminação".

À Al Jazeera, Blatter declarou: "Durante uma partida, você pode dizer alguma coisa a alguém que não se parece exatamente com você (...), mas no final da partida é esquecido".

A Fifa depois divulgou nota de Blatter em que ele reitera seu compromisso contra o racismo. "Meus comentários foram mal compreendidos. O que eu quis expressar é que, como jogador de futebol, durante uma partida, você tem 'batalhas' com seus adversários, e às vezes são feitas coisas erradas. Mas normalmente, no final do jogo, você pede desculpas ao seu adversário se você teve um confronto durante o jogo, você aperta as mãos, e, quando o jogo acabou, acabou."

"Agora, quero salientar novamente que não quero diminuir a dimensão do problema do racismo na sociedade e no esporte. Estou comprometido em combater essa praga e chutá-la para fora do futebol."

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