Ingleses cobram renúncia de Blatter por comentários sobre racismo

quinta-feira, 17 de novembro de 2011 12:48 BRST
 

Por Mike Collett

LONDRES (Reuters) - O ministro do Esporte da Grã-Bretanha, Hugh Robertson, e o líder do sindicato dos jogadores de futebol ingleses, Gordon Taylor, defenderam na quinta-feira a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, após declarações do dirigente suíço que pareceram atenuar o problema do racismo no futebol.

Blatter, de 75 anos, se mostrou "fora de sintonia e fora do seu tempo", na avaliação de Taylor, após afirmar na quarta-feira em duas entrevistas à CNN e à Al Jazeera que não há racismo nos gramados e que jogadores envolvidos em eventuais ofensas deveriam acertar as diferenças com um aperto de mãos ao final da partida.

"Isso passa dos limites", disse Taylor à emissora Sky Sports News. "Falar como ele falou mostra que ele está totalmente fora de sintonia e fora do seu tempo."

"Ele deveria dar lugar a Michel Platini (presidente da Uefa). Se há uma pessoa que deveria entender a questão do racismo é o chefe da Fifa, que tem 200 países no mundo, que são tão diversos e têm origens, cores, culturas e credos diferentes, e se ele não está entendendo então precisa sair."

Questionado sobre se estava propondo a renúncia de Blatter, Taylor disse: "Acho que sem sombra de dúvida".

As declarações de Blatter foram transmitidas no mesmo dia em que a Associação de Futebol da Inglaterra iniciou um processo contra o atacante uruguaio Luis Suárez, do Liverpool, devido a supostas ofensas raciais contra o zagueiro francês Patrice Evra, do Manchester United, no mês passado. Suárez nega a acusação.

A entidade também está investigando suspeitas de que John Terry, do Chelsea, teria proferido xingamentos raciais contra o zagueiro Anton Ferdinand, do Queens Park Rangers. Terry nega as acusações, que estão sendo investigadas também na esfera policial.

O ministro Robertson, perguntado na rádio BBC se Blatter deveria deixar o cargo, disse: "Sim, nós temos dito isso há algum tempo. Isso é incrivelmente sério, mas é apenas parte de um modelo de comportamento."   Continuação...

 
Presidente da Fifa, Joseph Blatter, durante coletiva de imprensa após reunião do comitê executivo da Fifa, em Zurique, em outubro. O ministro do Esporte da Grã-Bretanha, Hugh Robertson, e o líder do sindicato dos jogadores de futebol ingleses, Gordon Taylor, defenderam na quinta-feira a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, após declarações do dirigente suíço que pareceram atenuar o problema do racismo no futebol.
21/10/2011   REUTERS/Christian Hartmann